Em visita a Buenos Aires, o vice-premiê italiano Antonio Tajani reuniu-se com o presidente Javier Milei e firmou acordos sobre matérias-primas e internacionalização de empresas, classificando a Argentina como prioridade para a Itália. Tajani elogiou as reformas econômicas locais e apoiou o pacto UE-Mercosul. A missão, que envolve mais de 100 empresas italianas, visa expandir o comércio bilateral e foca no setor energético, com interesse no potencial do campo de gás e petróleo de Vaca Muerta.
O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, reuniu-se por mais de uma hora com o presidente da Argentina, Javier Milei, nesta terça-feira (8), em Buenos Aires, e assinou dois acordos com o governo do país sul-americano: um sobre matérias-primas e outro sobre cooperação para a internacionalização de empresas.
"Conversamos por mais de uma hora com Milei para reforçar a cooperação econômica. A amizade com a Argentina é uma prioridade para nós, é uma ponte muito forte", afirmou Tajani durante a abertura da sessão plenária do 10º Fórum Bilateral Itália-Argentina de Pequenas e Médias Empresas, ao lado de seu homólogo Pablo Quirno.
"Eu disse a Milei que o acordo com o Mercosul é o mais importante desde a fundação da União Europeia", acrescentou o chanceler, que ainda elogiou abertamente a gestão do presidente argentino.
"Gostamos do que o governo argentino está fazendo: o Estado não faz o papel de empresário, mas ajuda as empresas. Gostamos porque estamos fazendo o mesmo, a começar pelo corte da burocracia", explicou.
Tajani ainda defendeu que Roma atue como elo entre a América Latina e a União Europeia. "Nosso governo pode garantir estabilidade política. E estabilidade é a coisa mais importante para um empresário, que, dessa forma, tem certezas sobre como investir. Vamos exportar para a Argentina, mas nossas portas estão abertas aos amigos argentinos na Itália. Defenderemos sempre os interesses da Argentina na Europa", assegurou.
O ministro participa de uma missão de mais de 100 companhias italianas no Mercosul, com etapa em São Paulo a partir desta quarta-feira (9). O presidente da principal confederação de industriais do país europeu, a Confindustria, Emanuele Orsini, também se reuniu com Milei na Casa Rosada e destacou a questão energética como ponto central da missão.
"O custo da energia na Itália é hoje o mais alto dos últimos dois anos. Se queremos ser competitivos, a primeira coisa a fazer é reduzi-lo. Estamos aqui também por isso", disse ele, que destacou o potencial do campo de gás e petróleo de Vaca Muerta, no sul da Argentina. "Sabemos o quanto precisamos comprar energia", acrescentou.
Segundo Orsini, o mercado argentino hoje vale 1,2 bilhão de euros (R$ 7,1 bilhões) para as empresas italianas, mas "pode chegar a 7 bilhões" (R$ 41,4 bilhões) dentro de "poucos anos".