A visita do papa Leão XIV à França, em setembro, custará cerca de 27 milhões de euros, levando a Igreja Católica local a iniciar uma campanha de arrecadação de fundos. Com ingressos e hospedagens já esgotados em várias cidades, os organizadores enfrentam o desafio logístico de acolher centenas de milhares de fiéis, incluindo um milhão esperado só em Paris. O evento mobiliza grande infraestrutura na capital e gera debates entre defensores do laicismo devido a missas em locais públicos icônicos.
A Igreja Católica francesa estimou nesta terça-feira (8) que a visita do papa Leão XIV ao país custará pelo menos 27 milhões de euros (R$ 159,7 milhões).
Além de calcular o orçamento para a viagem do pontífice americano ao território francês, a Conferência Episcopal local lançou uma campanha de arrecadação de fundos para financiar a visita, programada para ocorrer entre 25 e 28 de setembro.
No entanto, o elevado orçamento necessário não preocupa excessivamente os bispos, que defenderam firmemente a visita do pontífice. Grandes benfeitores contribuirão com recursos, enquanto a venda de artigos relacionados à viagem papal também ajudará a cobrir as despesas.
"Essa quantia cobre todas as despesas necessárias para a organização da viagem apostólica", explicou a Conferência Episcopal da França.
No momento, não é apenas a questão orçamentária que ocupa os organizadores, mas também a chegada prevista de centenas de milhares de fiéis para uma visita com um cronograma apertado. Em Paris, por exemplo, "o desafio será receber cerca de um milhão de pessoas em seis eventos distintos ao longo de um dia e meio", explicou a Diocese de Paris.
Os organizadores da viagem revelaram que aguardam a presença de 50 mil pessoas na noite de sábado para uma oração na gruta do santuário, enquanto 150 mil fiéis são esperados na manhã de domingo para uma grande missa. Por fim, outras 25 mil pessoas deverão participar de uma procissão com velas na noite de domingo.
Em Metz, onde a visita de Robert Francis Prevost terminará, são esperadas 40 mil pessoas interessadas em ver o líder da Igreja Católica, vindas de diversos países, como Alemanha, Luxemburgo e Bélgica.
Em Lourdes, a capacidade de hospedagem está esgotada há semanas. Da mesma forma, os ingressos para os eventos com o Papa em Paris estão esgotados, incluindo o encontro no Stade de France, em Saint-Denis, onde ele será recebido por 80 mil jovens.
A Igreja Católica na França afirmou que acolhe com "entusiasmo" essa resposta dos fiéis, sobretudo em um país onde a laicidade tem grande importância. Esse sentimento, contudo, provocou o descontentamento de defensores intransigentes do laicismo diante da notícia de que o Papa celebrará uma missa "gigantesca" em locais de forte tradição laica, como a Place de la Concorde e a Champs-Élysées.
"Vivemos em uma república laica, e o Estado não reconhece nenhuma religião específica; no entanto, garante que diversas crenças possam expressar publicamente suas convicções", observou o arcebispo de Paris, Laurent Ulrich.
Enquanto isso, na região central da capital francesa, que receberá o Papa com a Torre Eiffel como pano de fundo, já começaram as interrupções no trânsito, à medida que as equipes trabalham para instalar toda a infraestrutura necessária dentro do cronograma. .