Parlamentares de Portugal rejeitam moção de censura contra governo

8 set 2026 - 15h16
(atualizado às 16h03)
Resumo
O Parlamento português rejeitou uma moção de censura contra o governo minoritário de Luís Montenegro, apresentada pelo partido de extrema-direita Chega. A iniciativa decorreu da recusa do premiê em demitir o ministro do Interior, investigado por suposta má conduta anterior. A moção fracassou após a abstenção dos socialistas e o voto contrário de outros partidos da oposição, que buscaram evitar nova crise política e acusaram o Chega de manobra para obter visibilidade na mídia.

O Parlamento de Portugal rejeitou ‌nesta terça-feira uma moção de censura apresentada pelo partido de extrema-direita Chega contra o governo minoritário de centro-direita do primeiro-ministro Luís Montenegro, enquanto outros partidos da oposição procuravam evitar uma nova instabilidade política.

Foi a primeira moção de censura enfrentada pelo atual governo durante seus 15 meses no poder, o ⁠que ressalta a fragilidade do governo minoritário de Montenegro.

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A moção foi motivada ‌pela recusa de Montenegro em demitir o ministro do Interior, Luís Neves, devido a alegações de má conduta durante seus oito anos como chefe ‌da Polícia Judiciária. Montenegro classificou a iniciativa ‌do Chega como uma "mera manobra política" e defendeu Neves como um ⁠ministro eficiente.

Promotores estão investigando como um caminhão carregado com produtos químicos usados na fabricação de drogas, apreendido em uma operação policial, acabou em um depósito de propriedade de um empreiteiro que posteriormente realizou obras na propriedade de Luís Neves. Também estão sendo investigadas as licenças de construção na propriedade ‌e o uso, sem pagamento de aluguel, por parte de Neves de um ‌carro apreendido de um ⁠traficante de drogas ⁠condenado.

Neves negou qualquer irregularidade e se recusou a renunciar. Ele afirmou que o acordo com ⁠o empreiteiro poupou ao Estado ‌os custos de descarte dos ‌produtos químicos.

O líder do Chega, André Ventura, afirmou que Neves não tem condições para exercer o cargo e que mantê-lo no governo demonstra que "o padrão ético em Portugal desapareceu completamente".

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O Chega, com seus 60 ⁠deputados, é o segundo maior grupo no Parlamento de 230 assentos. A coalizão de centro-direita no poder possui 91 assentos. Os nove deputados da Iniciativa Liberal e os seis do Livre votaram contra a moção, enquanto todos os outros partidos, incluindo os ‌Socialistas, com 58 assentos, se abstiveram.

"Não serão os socialistas que vão lançar o país no caos político", afirmou seu líder, José Luís Carneiro, acrescentando ⁠que, embora o caso Neves estivesse minando a autoridade política de Montenegro, o Chega estava apenas buscando "ocupar espaço na mídia" com sua moção.

Apenas uma vez na história democrática de Portugal, em 1987, o Parlamento aprovou uma moção de censura e derrubou um governo. Montenegro, que assumiu o poder pela primeira vez em abril de 2024, já sobreviveu a duas moções desse tipo. Seu primeiro governo, no entanto, caiu em março de 2025, depois que o próprio Montenegro propôs uma moção de confiança e, posteriormente, perdeu a votação.

"Enquanto alguns ainda estão se recuperando da ressaca eleitoral, estamos cumprindo o programa do governo e proporcionando previsibilidade e credibilidade a Portugal", afirmou Montenegro durante o debate parlamentar.

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