Vaticano teria rejeitado pedido de Macron para acompanhar Papa em visita a Notre-Dame

Episódio evidenciaria diferença de perspectiva entre Paris e Roma sobre viagem de Leão XIV

15 set 2026 - 14h33
(atualizado às 15h00)
Resumo
O Vaticano recusou o pedido do presidente Emmanuel Macron para acompanhar o papa Leão XIV nas obras da Catedral de Notre-Dame em setembro. A decisão expõe divergências entre a visão laica francesa de visita de Estado e o caráter pastoral defendido por Roma. Nos bastidores, a recusa é atribuída ao receio de exploração política e a atritos sobre leis de fim da vida defendidas por Macron, embora a Santa Sé alegue restrições de agenda papal e a prioridade de devolver o templo aos fiéis.

O Vaticano teria rejeitado um pedido do presidente francês, Emmanuel Macron, para acompanhar o papa Leão XIV durante "alguns minutos" em sua visita à Catedral de Notre-Dame de Paris, em 25 de setembro, segundo informações publicadas pelo diário católico La Croix nesta terça-feira (15).

Macron pretendia mostrar ao Papa as obras de restauração da catedral
Macron pretendia mostrar ao Papa as obras de restauração da catedral
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

De acordo com o jornal, Macron não pretendia participar das Vésperas que serão celebradas pelo pontífice na catedral, mas havia solicitado, por meio de canais diplomáticos, algumas dezenas de minutos ao lado de Leão XIV.

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A intenção seria mostrar a Robert Prevost as obras de restauração do templo, financiadas pelo Estado francês após o devastador incêndio de 15 de abril de 2019.

"O pedido foi feito por canais diplomáticos. Mas a Secretaria de Estado do Vaticano disse não", relata o La Croix.

Para o diário, o episódio evidencia uma diferença de perspectiva entre Paris e Roma na preparação da viagem: enquanto o governo francês teria imaginado a passagem do Santo Padre também sob a ótica de uma visita de Estado, o Vaticano teria tratado o compromisso essencialmente como uma viagem apostólica.

Leão XIV tem uma agenda oficial na França entre os dias 25 e 28 de setembro, incluindo compromissos em Paris e na sede da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

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Segundo o La Croix, algumas interpretações em Roma atribuem a recusa a questões políticas. Entre elas estaria a posição de Macron favorável à legislação sobre o fim da vida, tema que contraria a posição da Igreja Católica.

Também teria pesado o receio de que a presença conjunta de Macron e Prevost em Notre-Dame produzisse uma imagem de excessiva proximidade entre o pontífice e o Palácio do Eliseu, especialmente após a reabertura da catedral, realizada em dezembro de 2024.

A Secretaria de Estado do Vaticano, porém, teria apresentado justificativas mais práticas para a decisão. Entre elas estão a agenda particularmente carregada do líder da Igreja Católica e o desejo de que Notre-Dame seja imediatamente devolvida aos fiéis após o encerramento das Vésperas. 

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