O secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, manifestou a expectativa de que o diálogo e o bom senso prevaleçam nos Estados Unidos após as eleições de meio de mandato. Paralelamente, o cardeal comentou o acordo provisório com a China para a nomeação de bispos, afirmando que a Santa Sé continua negociando para aprimorar o mecanismo. Apesar de reconhecer as imperfeições e a complexidade das relações com Pequim, Parolin destacou que o processo diplomático segue avançando.
O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, expressou a esperança de que a razão, o bom senso e a capacidade de diálogo prevaleçam no cenário político dos Estados Unidos após a vitória democrata nas eleições de meio de mandato, as chamadas midterms.
A declaração foi dada nesta quinta-feira (5), à margem de um evento realizado na Pontifícia Universidade Urbaniana, em Roma, sobre a Igreja na China.
Questionado se a democracia havia saído vitoriosa do processo eleitoral americano, Parolin evitou uma avaliação categórica e destacou a importância da colaboração entre as forças políticas.
Segundo ele, é necessário encontrar formas de convivência e entendimento em benefício do país.
"Esperemos que haja capacidade de colaboração, de encontrar formas de convivência para o bem do país. É isso que esperamos", afirmou o cardeal.
Parolin também observou que a maioria conquistada nas duas casas legislativas deverá provocar mudanças, embora ainda não seja possível prever como elas serão realizadas. "Agora veremos como elas serão conduzidas. Essa é uma questão em aberto, mas esperemos que a razão e o bom senso prevaleçam", acrescentou.
Por fim, ao ser questionado sobre o voto do papa Leão XIV nas eleições norte-americanas, o secretário de Estado reconheceu que se trata de uma situação inédita.
"Pensei comigo mesmo que isso nunca havia acontecido antes; no entanto, ele é cidadão dos Estados Unidos e tem todo o direito de fazê-lo", declarou.
Durante o mesmo encontro, promovido pela agência Fides em comemoração ao centenário da nomeação dos primeiros bispos na China, Parolin também comentou o acordo provisório entre a Santa Sé e Pequim sobre a nomeação de bispos.
O cardeal afirmou que as negociações continuam e que o Vaticano trabalha para aperfeiçoar os mecanismos estabelecidos, reconhecendo, porém, as limitações impostas pela complexidade das relações com o governo chinês.
"Estamos avançando, tentando aperfeiçoar o que ainda não é perfeito ? mas a perfeição não é deste mundo", declarou.
A manifestação ocorreu após declarações do arcebispo Paul Richard Gallagher, secretário para as Relações com os Estados e as Organizações Internacionais, que classificou o acordo como imperfeito, embora tenha reafirmado sua avaliação de que se trata de um bom entendimento.
Sobre isso, Parolin concordou que nenhum acordo é livre de imperfeições, especialmente diante das circunstâncias particulares que envolvem as relações entre a Igreja Católica e a China.
"É claro que todos os acordos são imperfeitos ? ainda mais neste caso, dada a complexidade das situações e condições envolvidas.
Estamos avançando, buscando aperfeiçoar o que ainda não é perfeito; mas a perfeição não é deste mundo", concluiu.
O acordo provisório entre a Santa Sé e Pequim, firmado em 2018 e posteriormente renovado, busca estabelecer mecanismos de entendimento para a nomeação de bispos católicos na China, uma questão central nas relações entre o Vaticano e o governo chinês. .