Pelo menos 18 voos foram afetados por falsos alertas de bomba na Europa nesta quinta-feira, incluindo rotas ligadas à Itália, Bulgária e República Tcheca. Companhias de baixo custo foram os principais alvos, e caças chegaram a escoltar aeronaves desviadas. Nenhum explosivo foi achado. Autoridades investigam uma ação coordenada e anônima por e-mail, repetindo incidentes ocorridos no início da semana, enquanto a União Europeia reforça a cooperação entre aeroportos e forças de segurança.
Pelo menos 18 voos foram afetados por falsos alarmes de bomba em toda a Europa nesta quinta-feira (5), incluindo oito com destino ou origem na Itália, em uma suposta ação coordenada contra a aviação civil no continente.
As ameaças atingiram sobretudo voos de companhias aéreas de baixo custo, como a irlandesa Ryanair e a húngara Wizz Air, e também foram registradas em países como Bulgária e República Tcheca.
Dos oito voos envolvendo a Itália, dois deles chegaram a ser interceptados e escoltados por caças militares: um da Aer Lingus entre Dublin, na Irlanda, e Roma-Fiumicino, desviado para a base aérea de Évreux-Fauville, no norte da França; e um da Finnair entre Helsinque, na Finlândia, e a capital italiana.
Já um avião da Wizz Air que havia partido de Milão-Malpensa com destino a Varsóvia, na Polônia, foi desviado para Viena, na Áustria. Outro voo proveniente do mesmo aeroporto, mas com destino a Bucareste, na Romênia, operado pela Wizz Air, também foi alvo de um alerta de bomba, assim como dois que pousaram em Malpensa nesta quinta: um da Aegean Airlines procedente de Tessalônica, na Grécia, e um da Ryanair originário do Porto, em Portugal.
Aviões que pousaram em Madri provenientes de Roma-Fiumicino e Milão-Linate também foram inspecionados pelas forças de segurança espanholas.
Ainda foram registradas ameaças em quatro aviões com destino a Praga, na República Tcheca, operados por Ryanair, EasyJet e Sky Express; e três que viajavam para Sófia, na Bulgária, todos eles da Ryanair (um deles, proveniente de Londres, foi desviado para Plovdiv). Alertas ainda atingiram outro avião que aterrisou em Madri nesta quinta, bem como um voo da Finnair entre Helsinque e Viena e outro da LOT entre Varsóvia, na Polônia, e Bruxelas, na Bélgica.
Nenhum explosivo foi encontrado até o momento. Na última terça-feira (3), 10 voos na Europa já haviam sido alvos de falsas ameaças de bomba; na segunda, um avião da Wizz Air que voava entre Londres e Sófia fez um pouso de emergência em Budapeste, na Hungria, devido a um alerta de explosivo, também falso.
Fontes investigativas italianas suspeitam de uma ação coordenada em todas essas ameaças, e Roma ativou canais de cooperação internacional para identificar os servidores por onde passaram os e-mails com os alarmes de bomba.
De acordo com as informações iniciais, as mensagens foram enviadas de endereços comprometidos ou de serviços que garantem anonimato, como o Proton Mail. Até o momento, sabe-se que as ameaças contra os voos de Helsinque e Dublin para Roma partiram de um único e-mail anônimo escrito em italiano, enviado nas primeiras horas da manhã aos endereços da ADR, empresa que administra o aeroporto de Fiumicino. O assunto da mensagem era "segnalazione minaccia" (relato de ameaça).
O comissário de Transportes da União Europeia, Apostolos Tzitzikostas, disse que "qualquer ameaça contra os civis é inaceitável" e que "a segurança dos cidadãos permanece uma prioridade". "Pedi às autoridades nacionais competentes que colaborem com os gestores de aeroportos, as companhias aéreas e as forças de ordem", acrescentou, ressaltando que é "prematuro tirar conclusões" no momento.