A Comissão Europeia anunciou nesta terça-feira (19) que está analisando o pedido da Itália para que as regras fiscais do Pacto de Estabilidade e Crescimento sejam suspensas não apenas para despesas relacionadas à defesa, mas também para medidas voltadas a enfrentar a crise energética provocado pelas tensões internacionais envolvendo o Irã.
A informação foi confirmada pelo Comissário Europeu para a Economia, Valdis Dombrovskis, após reunião dos ministros das Finanças do G7 em Paris.
Segundo Dombrovskis, o Executivo europeu "continua a acompanhar de perto a situação e a avaliar que tipo de resposta é e será necessária". Ele afirmou que o pedido italiano está sob análise dentro de uma abordagem cautelosa sobre políticas econômicas emergenciais.
O comissário destacou ainda que a orientação "é adotar medidas temporárias e direcionadas para apoiar a economia, que não aumentem a demanda por combustíveis fósseis".
"O problema que enfrentamos é um choque do lado da oferta", disse, alertando que políticas que estimulem a demanda podem manter os preços elevados sem resolver o desequilíbrio energético.
As recomendações, segundo ele, estão alinhadas com as diretrizes do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Do lado italiano, o ministro da Economia, Giancarlo Giorgetti, afirmou que as negociações continuam e que "não se trata apenas de uma isenção", mas de diversas possibilidades de flexibilização dentro das regras europeias.
Ele classificou a situação como complexa e defendeu que a Itália precisa de "prudência e responsabilidade" devido ao seu alto nível de endividamento público.
Além disso, Giorgetti comparou a situação fiscal italiana com a de outros países da zona do euro, destacando que a Itália enfrenta desafios mais severos em razão de sua dívida elevada e da possível pressão sobre as taxas de juros.
Paralelamente, discussões políticas no Parlamento Europeu indicam abertura para flexibilizações. O líder do grupo PPE, Manfred Weber, teria sinalizado disposição para considerar a extensão da cláusula de salvaguarda ao setor energético, segundo representantes do partido Força Itália (FI).
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, tem defendido medidas de apoio ao setor energético como forma de aliviar o impacto dos preços sobre famílias e empresas.
Parlamentares italianos afirmam que o objetivo não é apenas ampliar gastos, mas também revisar mecanismos de cálculo do preço da energia, incluindo o sistema de comércio de emissões (ETS), para reduzir custos ao consumidor. .