O thriller satírico "Uma batalha após a outra" ganhou o prêmio de melhor filme no Oscar, e levou ao todo seis troféus de 13 indicações em uma noite de domingo em que Hollywood entregou seus principais prêmios cinematográficos a histórias não convencionais.
O filme, que relata uma excêntrica história de resistência política nos Estados Unidos, teve uma disputa acirrada com a história de vampiros "Pecadores", criando uma disputa até o último prêmio no Dolby Theatre.
"Vamos tomar um martini! Isso é incrível", disse o diretor Paul Thomas Anderson no palco depois que seu filme "Uma batalha após a outra" foi anunciado como o ganhador do prêmio principal.
O filme da Warner Bros é estrelado por Leonardo DiCaprio como um ex-revolucionário que se torna pai solteiro de um adolescente que fuma maconha.
"Escrevi esse filme para meus filhos, para pedir desculpas pela bagunça que deixamos neste mundo", disse Anderson ao receber o prêmio de roteiro. "Mas também com o incentivo de que eles serão a geração que, com sorte, nos trará algum bom senso e decência."
Já o filme "Pecadores" levou quatro troféus de um total de 16 indicações, mais do que qualquer outro filme na história de quase 100 anos do Oscar. O longa ganhou o prêmio de melhor ator, com Michael B. Jordan superando Wagner Moura em "O Agente Secreto".
NOITE SEM PRÊMIOS PARA O BRASIL
Os representantes brasileiros não conquistaram nenhum prêmio na edição do Oscar que foi histórica para o país, pois concorreu pela primeira vez a cinco categorias.
O filme "O Agente Secreto" concorreu ao troféu de melhor filme, melhor ator, melhor filme internacional e melhor seleção de elenco.
O diretor do filme, Kleber Mendonça, agradeceu o apoio da torcida brasileira nas redes sociais. "Obrigado Brasil. Pronto para o próximo", escreveu em sua conta no X.
Além disso, o diretor de fotografia brasileiro Adolpho Veloso disputou o prêmio de melhor fotografia com o filme "Sonhos de Trem".
SEAN PENN É VENCEDOR, MAS NÃO COMPARECE
Sean Penn, que interpreta um oficial militar obcecado no "Uma batalha após a outra", foi eleito o melhor ator coadjuvante. Este foi o terceiro Oscar de Penn, que costuma faltar às cerimônias de premiação do cinema e não estava presente na plateia do Dolby Theatre.
"Sean Penn não pôde estar aqui, ou não quis, então vou receber o prêmio em seu nome", disse o apresentador Kieran Culkin, vencedor do prêmio de melhor ator coadjuvante no ano passado.
A atriz irlandesa Jessie Buckley recebeu o prêmio de melhor atriz por interpretar a esposa de William Shakespeare, Agnes Hathaway, em "Hamnet". O filme explora como o casal lida com a morte de seu filho de 11 anos, "Hamnet".
Amy Madigan, de 75 anos, foi eleita a melhor atriz coadjuvante por seu papel como a maluca Tia Gladys no filme de terror "Weapons". Ela ganhou seu primeiro Oscar 40 anos após sua primeira indicação.
"KPop Demon Hunters", um filme da Netflix que se tornou um fenômeno mundial, foi eleito o melhor filme de animação. Sua música cativante, "Golden", ganhou o prêmio de melhor música original.
Em meio à celebração, o Oscar assumiu um tom sério para homenagear duas grandes perdas no mundo do cinema - as mortes dos diretores Robert Redford e Rob Reiner.
O apresentador Conan O'Brien abriu as festividades brincando que estava honrado por ser "o último apresentador humano" da premiação, em um momento em que Hollywood está preocupada com a possibilidade de a inteligência artificial assumir os empregos.
A comemoração chamativa, a festa de gala mais exagerada de Hollywood do ano, ocorreu enquanto os EUA travam uma guerra contra o Irã.
A segurança foi reforçada dentro e nos arredores da cerimônia após um alerta federal sobre uma possível ameaça iraniana contra a Califórnia.
As festividades mascararam o desconforto no setor cinematográfico em relação ao local onde os filmes estão sendo feitos, pois os estúdios buscam incentivos fiscais e custos mais baixos em outros lugares dos EUA e no exterior, enfraquecendo o controle de Hollywood sobre a produção.
Os vencedores das estatuetas douradas do Oscar são escolhidos pelos cerca de 10.000 atores, produtores, diretores e artesãos do cinema que compõem a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.