O ex-presidente do Banco Central Europeu e ex-primeiro-ministro da Itália Mario Draghi avaliou nesta segunda-feira (2) que a União Europeia precisa acelerar sua integração e se tornar uma federação plena para evitar ficar à mercê dos Estados Unidos e da China.
O economista, que esteve na Bélgica para receber um doutorado honoris causa da Universidade KU Leuven, afirmou que, entre todos os que estão pressionados entre Washington e Pequim, apenas os europeus "têm a opção de se tornarem uma potência real".
"Precisamos decidir: vamos simplesmente permanecer um grande mercado, sujeito às prioridades de outros? Ou vamos tomar as medidas necessárias para nos tornarmos uma potência? Para se tornar uma potência, a Europa precisa passar de uma confederação para uma federação", declarou o banqueiro.
O italiano recordou que o bloco europeu se tornou muito respeitado nos setores em que os Estados-membros conseguiram atuar de forma conjunta, citando como exemplos o comércio, o mercado único e a política monetária. Draghi também elogiou os acordos assinados com a Índia e o Mercosul.
Já nas áreas em que a UE não conseguiu se unir, como defesa, política industrial e relações exteriores, o ex-premiê italiano afirmou que o continente é tratado "como uma assembleia frouxa de Estados de tamanho médio, a ser dividida e tratada de acordo com suas particularidades".
"Esse é um futuro em que a Europa corre o risco de se tornar subordinada, dividida e desindustrializada. E uma Europa que não consegue defender seus interesses não preservará seus valores por muito tempo", concluiu. .