Trump volta a atacar Meloni após polêmica sobre foto no G7: 'Não a quero como fã'

Republicano disse ter sentido 'pena' de premiê da Itália por ela 'implorar' por um retrato

19 jun 2026 - 16h31
(atualizado às 17h13)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, na tarde desta sexta-feira (19), após ter dito que a italiana "implorou" para tirar uma foto com ele durante a cúpula do G7 em Évian-les-Bains, na França.

Meloni e Donald Trump têm trocado alfinetadas
Meloni e Donald Trump têm trocado alfinetadas
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Em entrevista à NBC News, Trump afirmou que Meloni havia sido uma grande apoiadora sua, mas garantiu que não a considerava mais uma aliada em razão da posição italiana sobre o Estreito de Ormuz.

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"Ela era uma grande fã. Mas eu não a quero como fã porque ela não estava lá ? junto com o grupo da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ? nas questões relacionadas ao Estreito", declarou o republicano ao jornalista Gabe Gutierrez.

A tensão entre Trump e Meloni aumentou após ele afirmar, em entrevista à emissora italiana La7, que Meloni teria "implorado" por uma foto com ele durante o encontro do G7.

"Ela me implorou para eu tirar uma foto com ela. Ela queria uma foto comigo. Eu não teria aceitado, mas me deu até pena", disse Trump.

Na conversa, o republicano perguntou ao entrevistador sobre Meloni e emendou que a primeira-ministra "provavelmente está feliz" por eles terem conversado no G7. "Eu não era obrigado a conversar com ela", salientou.

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Meloni, por sua vez, reagiu e, em vídeo publicado no Instagram, disse que as declarações de Trump são "totalmente inventadas".

"Algumas coisas merecem uma resposta imediata. Estou francamente chocada. Não sei por que o presidente dos Estados Unidos se comporta assim com os próprios aliados", afirmou a italiana, que costumava ser elogiada pelo presidente dos EUA.

A líder italiana também criticou a postura de Trump em relação a outros países. "Posso apenas dizer que lamento que ele não tenha a mesma determinação com os inimigos do Ocidente, com os inimigos dos Estados Unidos, com lideranças com quem ele se mostra muito mais condescendente. Mas ele precisa se lembrar de uma coisa: eu e a Itália nunca imploramos", concluiu.

A relação entre os dois líderes, que anteriormente era considerada cordial, ficou abalada após divergências sobre as ações militares do governo Trump contra o Irã. O presidente americano passou a criticar Meloni e outros aliados europeus por questionarem sua condução do conflito.

O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, também reagiu ao episódio e cancelou uma visita oficial aos Estados Unidos prevista para os dias 21 e 22 de junho.

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"As palavras graves e ofensivas do presidente Trump dirigidas à primeira-ministra Giorgia Meloni ofendem toda a Itália", escreveu o chanceler nas redes sociais.

Um fórum empresarial entre Itália e EUA em Miami, que seria realizado durante a missão de Tajani, também foi cancelado pelo governo de Meloni.

A crise gerou ainda reações dentro da política italiana. O líder do Movimento Cinco Estrelas (M5S), Giuseppe Conte, afirmou que a política externa não deve ser baseada em proximidade pessoal entre líderes.

"É errado pensar que a política externa pode ser construída sobre afinidades ideológicas. Precisamos de um primeiro-ministro que seja fã dos italianos", declarou.

A secretária do Partido Democrático (PD), Elly Schlein, também condenou as declarações de Trump, mas criticou a postura anterior do governo italiano em relação ao líder americano.

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"Os ataques de Trump a Meloni são inaceitáveis e devem ser veementemente rejeitados. Não aceitamos insultos dirigidos ao governo do nosso país e continuamos a defender as instituições italianas", afirmou ela, destacando que a premiê da Itália levou "uma bofetada" do republicano "depois de conceder tudo e mais um pouco".

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