O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou nesta terça-feira (7) suas ameaças contra o Irã ao se aproximar o prazo final de seu ultimato para um cessar-fogo temporário de 45 dias.
Segundo o chefe da Casa Branca, caso a República Islâmica não aceite um acordo até 20h no horário da costa leste norte-americana (21h em Brasília), Washington poderá ordenar uma "destruição completa" do país. Em mensagem publicada em sua rede Truth Social, Trump afirmou que "toda uma civilização vai morrer esta noite" e "nunca mais voltará" se Teerã não ceder.
"Não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá", escreveu.
O presidente do Irã declarou nesta terça-feira que 14 milhões de iranianos, incluindo ele próprio, se voluntariaram para sacrificar suas vidas na guerra. O número é o dobro do que havia sido divulgado anteriormente pela mídia estatal. O país tem cerca de 90 milhões de habitantes.
Amir-Saeid Iravani, representante de Teerã na ONU, afirmou que as ameaças de Trump de que "toda uma civilização morrerá" se o Irã não fechar um acordo, "constituem incitação a crimes de guerra e potencialmente genocídio".
O papa declarou hoje que considera "inaceitável" a ameaça que pesa sobre toda a população iraniana.
Ao longo do dia, ataques atingiram diversas infraestruturas no Irã, incluindo instalações ferroviárias e energéticas, além de alvos militares na ilha de Kharg, localizada no estratégico estreito de Ormuz. As ações teriam sido conduzidas por forças israelenses com apoio dos Estados Unidos, segundo veículos locais e fontes americanas.
A resposta iraniana veio em tom igualmente duro. O porta-voz militar Ibrahim Zolfaqari afirmou que Teerã prepara ações "mais enérgicas, amplas e destrutivas" contra Estados Unidos e Israel, sustentando que os adversários subestimam a capacidade militar do país. Segundo ele, os ataques já realizados são "insignificantes" diante do potencial iraniano, e o conflito só terminará com a rendição dos inimigos.
Na frente diplomática, o Irã rejeitou uma proposta norte-americana de cessar-fogo temporário intermediada pelo Paquistão e apresentou uma contraproposta em dez pontos, que inclui o fim duradouro das hostilidades, garantias de segurança no estreito de Ormuz, suspensão de sanções internacionais e reconstrução do país.
Escalada
O agravamento da crise ocorre sob críticas internacionais. Bombardeios deliberados contra infraestruturas civis violam o direito humanitário e podem configurar crimes de guerra. Ainda assim, Trump afirmou não se preocupar com esse risco.
Israel também manteve ataques ao território iraniano, enquanto Teerã respondeu com disparos de mísseis. Diante da escalada, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Bahrein emitiram alertas de segurança pública.
O impacto já atinge além das zonas de combate. Os Estados Unidos recomendaram que seus cidadãos reconsiderem viagens à Arábia Saudita devido ao risco de segurança, incluindo a participação no Hajj, a peregrinação anual muçulmana a Meca.
Segundo a embaixada norte-americana em Riad, a orientação leva em conta a deterioração do cenário regional, agora no 39º dia de guerra desencadeada após os ataques contra o Irã.
Com AFP