Tratores bloqueiam vias em Milão contra Mercosul; Meloni defende acordo

Segundo premiê, UE ofereceu garantias suficientes para o setor agrícola

9 jan 2026 - 10h12
(atualizado às 11h42)

Agricultores italianos usaram cerca de 100 tratores para bloquear o tráfego em importantes artérias viárias de Milão nesta sexta-feira (9), em protesto contra o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia.

O ato foi deflagrado na esteira da aprovação do tratado pelos Estados-membros da UE, com voto favorável da Itália.

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Veículos agrícolas com bandeiras italianas ocuparam a Piazza Duca d'Aosta, em frente à sede do Conselho Legislativo da Lombardia, e descarregaram fardos de feno no local. Tratores também interromperam o trânsito diante da Estação Central de Milão.

"Dizemos um 'não' concreto ao Mercosul. Não queremos que os produtos que entrem na UE possam abaixar o nosso preço. Além disso, essas mercadorias são cultivadas e criadas com produtos fitossanitários proibidos na Europa há anos, então há também um risco para a saúde", declarou Cristian Belloni, representante do grupo Riscatto Agricolo (Resgate Agrícola).

"O governo quer nos dar dinheiro para ficarmos calados, mas não é essa a política que desejamos", acrescentou o manifestante.

Após ter bloqueado a votação do acordo em dezembro, a Itália aceitou um pacote de garantias apresentado pela Comissão Europeia e foi decisiva para aprovação do texto nesta sexta, apesar da resistência de países como França, Irlanda e Polônia.

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Também contribuiu para o aval de Roma a decisão do Executivo da UE de oferecer mais 45 bilhões de euros em subsídios ao agro no âmbito da Política Agrícola Comum (PAC), juntando-se aos 302 bilhões já previstos no orçamento para o período de 2028 a 2034.

"Nunca tive preconceitos ideológicos sobre o Mercosul. Sempre levantei uma questão pragmática que não diz respeito apenas ao Mercosul: a estratégia europeia de hiperregulamentação interna, ao mesmo tempo que se abre para acordos de livre comércio, é suicida. Sou a favor de acordos de livre comércio, mas também sou a favor da desregulamentação", declarou a premiê italiana, Giorgia Meloni, em coletiva de imprensa nesta sexta.

Para justificar o "sim" ao acordo, a primeira-ministra citou um "mecanismo de salvaguarda para produtos sensíveis", que pode levar à suspensão das isenções tarifárias em casos de flutuações excessivas nos preços e nas importações de mercadorias como carne bovina, aves, arroz, ovos e açúcar, bem como um "reforço dos controles fitossanitários na entrada" desses itens no mercado europeu e o aumento dos subsídios no âmbito do PAC.

"Tendo em vista essas garantias para nossos agricultores, aprovamos o acordo. Buscamos o equilíbrio entre diferentes interesses: os dos agricultores e os do setor industrial [favorável ao tratado]", acrescentou a primeira-ministra.

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