O tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz permanece muito abaixo da média de 10 dias, registrando apenas cinco cargueiros na terça-feira. Diante da pressão dos EUA, Irã e Omã discutem a criação de um corredor marítimo temporário e a remoção de minas na área. Apesar do diálogo regional, analistas destacam que a normalização do transporte de petróleo só ocorrerá se os norte-americanos suspenderem o bloqueio e flexibilizarem as sanções econômicas contra os portos iranianos.
Cinco navios de carga transitaram pelo Estreito de Ormuz na terça-feira, um número praticamente inalterado em relação ao dia anterior, mas bem abaixo da média de 15 navios nos últimos 10 dias, segundo dados preliminares de tráfego marítimo divulgados nesta quarta-feira.
Dois petroleiros transportando gás liquefeito de petróleo e um petroleiro transportando betume saíram do Golfo Pérsico pelo estreito, enquanto dois petroleiros de produtos petroquímicos vazios entraram na via navegável vindos do Golfo de Omã, segundo dados iniciais da empresa de rastreamento de navios Kpler, divulgados às 01h08 (horário de Brasília). Na segunda-feira, quatro navios de carga transitaram pela via navegável, segundo os dados.
Os números podem sofrer alterações, já que alguns navios costumam desligar seus transponders de localização durante a viagem.
As travessias pelo estreito de Bab el-Mandeb, outro importante ponto de estrangulamento marítimo no Oriente Médio, também permaneceram praticamente inalteradas, com 31 navios de commodities contra 29 no dia anterior, segundo dados da Kpler, mas em linha com a média de 10 dias.
O Irã afirmou ter retomado as discussões com Omã sobre a gestão do Estreito de Ormuz em meio à crescente pressão econômica do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
As duas partes afirmaram na terça-feira que haviam estudado a criação de um corredor marítimo conjunto temporário e concordaram em remover as minas da via navegável.
"Qualquer acordo entre essas duas partes não significa que veremos a normalização dos fluxos de petróleo por esse importante ponto de estrangulamento", afirmou a ING Economics em uma nota.
"Provavelmente, seria necessário que os EUA suspendessem o bloqueio aos portos iranianos e flexibilizassem as sanções contra o Irã antes de observarmos qualquer avanço em direção à normalização."