O presidente da Colômbia, Abelardo De la Espriella, decretou a expulsão de imigrantes em situação irregular, priorizando o combate ao crime em discurso alinhado a Donald Trump. A medida afeta milhares de estrangeiros, sobretudo venezuelanos, revertendo a política de acolhimento anterior. Contudo, especialistas contestam a ligação entre migração e criminalidade, destacando que estrangeiros respondem por menos de 2% dos crimes no país, onde vivem mais de 527 mil migrantes indocumentados.
Empossado em 7 de agosto, ele chegou ao poder com um programa centrado no combate ao crime organizado e ao narcotráfico. A migração irregular não ocupou um papel central durante a campanha eleitoral de De la Espriella, mas passou a ganhar destaque nas primeiras semanas de governo. A decisão afeta um país que abriga cerca de 3 milhões de pessoas nascidas no exterior.
"Os colombianos primeiro, os colombianos em segundo lugar e, mais uma vez, os colombianos. Que isso fique claro para todo mundo", declarou o presidente em Barranquilla, cidade onde reside e onde instalou uma sede presidencial alternativa, descrita por observadores como uma espécie de "Mar-a-Lago colombiano".
Em referência ao slogan "America First", popularizado por Trump nos Estados Unidos, o presidente colombiano afirmou que não aceitará imigração irregular no país. "Expulsos! É um decreto presidencial que deve ser aplicado já nesta semana", declarou.
Na rede X, o presidente de 48 anos anunciou com orgulho: "Dezesseis dias de governo, assinei mais de 30 extradições e continuarei fazendo isso com absoluta determinação. A mensagem para os criminosos é clara: não haverá refúgio, privilégios nem contemplações", em uma mensagem acompanhada de um vídeo do momento das assinaturas.
En 16 días de Gobierno he firmado más de 30 extradiciones y continuaré haciéndolo con absoluta determinación.
El mensaje para los criminales es claro: no habrá refugio, privilegios ni contemplaciones.
En la era del Tigre, la seguridad y la grandeza de nuestra Patria se… pic.twitter.com/MIK5BN7QRG
— Abelardo De La Espriella (@ABDELAESPRIELLA) August 26, 2026
A medida representa uma mudança de postura em relação aos governos conservadores anteriores da Colômbia. Nos últimos anos, governos de direita mantiveram uma política relativamente aberta aos venezuelanos, vistos como vítimas das crises econômicas e políticas dos governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro.
Especialistas contestam associação entre imigração e criminalidade
Na prática, Abelardo de la Espriella afirma que pretende concentrar os esforços inicialmente nos migrantes envolvidos em crimes. A justificativa é contestada por Ana Karina Garcia, advogada especializada em direito migratório, com base em dados oficiais.
"Os números mostram que a criminalidade na Colômbia não tem relação com a nacionalidade, o passaporte ou o fato de a pessoa ser estrangeira. As estatísticas indicam que os crimes cometidos pela população estrangeira não ultrapassam 2% do total", afirma.
Milhares de venezuelanos em situação irregular
Em seguida, o presidente pretende ampliar a ofensiva aos imigrantes em situação irregular, que deverão ser expulsos do país. Trata-se de uma decisão política e administrativa que ele afirma assumir plenamente.
Segundo a Migración Colombia, órgão responsável pelo controle, monitoramento e análise dos fluxos migratórios, o país se tornou uma zona de trânsito e atualmente registra mais saídas do que entradas de cidadãos venezuelanos.
Dados do órgão mostram que mais de 2,8 milhões de venezuelanos viviam no país em junho, o equivalente a cerca de 6% da população colombiana. Desses, mais de 527 mil estavam em situação migratória irregular.
Marcada por décadas de conflito armado interno, a Colômbia historicamente viu milhões de cidadãos deixarem o país em busca de melhores condições de vida, sobretudo nos Estados Unidos e na Espanha.
A chegada em massa de venezuelanos na última década transformou a Colômbia em um dos principais destinos migratórios da América Latina e tornou a questão migratória um tema cada vez mais presente no debate político do país.