Haiti: ataque de gangues mata cerca de 40 e promove 'noite de terror', com dezenas de feridos

Na madrugada de segunda-feira (24), gangues armadas atacaram Kenscoff, na região de Pétion-Ville, ao sul da capital haitiana, Porto Príncipe, deixando cerca de 40 mortos, dezenas de feridos e pessoas desaparecidas e sequestradas.

25 ago 2026 - 10h13
Resumo
Um violento ataque de gangues em Kenscoff, no Haiti, deixou cerca de 40 mortos e dezenas de feridos após a invasão de um abrigo para deslocados em uma igreja. O episódio expõe o avanço dos grupos armados e a profunda crise de segurança que já forçou 1,5 milhão de pessoas a deixarem suas casas no país. Diante do massacre, o governo anunciou o envio de reforços, enquanto uma missão internacional apoiada pela ONU tenta se estruturar para conter a violência desenfreada.

Peterson Luxama, correspondente da RFI no Haiti, e AFP

"Contamos cerca de 40 cadáveres. As buscas continuam. Algumas pessoas ainda estão desaparecidas", afirmou à AFP Massillon Jean, prefeito de Kenscoff, ao sul da capital do Haiti, que classificou o episódio como "uma noite de terror".

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Segundo o prefeito, os criminosos invadiram um acampamento de deslocados instalado em uma igreja e executaram várias pessoas. "Há mortos e dezenas de feridos. Algumas pessoas foram sequestradas", afirmou.

Na manhã de segunda-feira, corpos ainda eram vistos nas ruas de Kenscoff, enquanto moradores tentavam localizar familiares. Um homem de cerca de 60 anos contou que conseguiu escapar do ataque com a família. Ao ouvir os tiros, pensou inicialmente que fossem disparos da polícia. Ao perceber que se tratava dos criminosos, eles escalaram um muro e se esconderam sob chapas metálicas.

"Não sei como consegui escapar", relatou. "Houve muitos mortos."

Marlene, uma moradora, perdeu o marido e o irmão no ataque. Em prantos, cercada pelos cinco filhos, contou que os criminosos arrombaram a porta de sua casa e levaram seu marido. Segundo ela, os homens ordenaram que ele caminhasse sob ameaça de morte. Ele resistiu e acabou sendo morto.

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"Hoje só posso olhar para o cadáver dele. Ele me deixa com cinco filhos, quando era ele quem sustentava a família", afirmou.

O gabinete do primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé manifestou "profunda compaixão" pelas vítimas e seus familiares. O governo anunciou o envio de reforços para restabelecer a segurança na região.

Conflito de gangues

Kenscoff é palco, há vários meses, de confrontos entre grupos armados que tentam ampliar seu controle sobre a região desde o início de 2025. A nova ofensiva, segundo moradores, expõe novamente a incapacidade das autoridades de conter a violência e provoca revolta na população.

O Haiti atravessa há anos uma profunda crise política, econômica e de segurança, que se agravou nos últimos anos com a expansão dos grupos armados. As gangues são responsáveis por assassinatos, sequestros, estupros e recrutamento de crianças. De acordo com uma estimativa da Organização Internacional para as Migrações (OIM) divulgada em junho, cerca de 1,5 milhão de pessoas, em uma população de aproximadamente 11 milhões, estão deslocadas dentro do país devido à violência.

Os ataques também se espalham para além da capital. Uma Força de Repressão às Gangues (FRG), apoiada pela ONU, está sendo formada para auxiliar as forças policiais haitianas, consideradas sobrecarregadas diante da dimensão da crise. A força deverá contar, em sua configuração final, com 5.500 policiais e militares estrangeiros, embora o número de integrantes já mobilizados não seja conhecido.

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O ataque em Kenscoff ocorre, assim, em meio a uma tentativa internacional de reforçar a segurança no país, enquanto os grupos armados continuam ampliando sua influência e a população permanece exposta à violência e aos deslocamentos.

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