Tempo de vida laboral na Itália é o 2º mais baixo da União Europeia

Habitantes do país têm expectativa de passar 33 anos no mercado de trabalho

17 ago 2026 - 13h02
(atualizado às 13h42)

A Itália está entre os países europeus onde se vive mais tempo, mas também entre aqueles onde se passa menos anos no mercado de trabalho.

Trabalhadores diante de canteiro de obras em Milão, norte da Itália
Trabalhadores diante de canteiro de obras em Milão, norte da Itália
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

De acordo com dados divulgados pela Confederação Nacional do Artesanato e das Pequenas e Médias Empresas (CNA), a duração esperada da vida laboral no "Belpaese" é de apenas 33 anos, o segundo valor mais baixo da União Europeia, à frente somente da Romênia, e quatro anos e meio inferior à média do bloco, que é de 37,5.

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Os dados se referem a 2025 e indicam um aumento de dois meses na expectativa de vida laboral na Itália em relação a 2024, diante de um crescimento de três meses na média europeia.

Além disso, a distância do país para as principais economias da UE segue expressiva: a Holanda registra 44 anos de vida laboral esperada; a Alemanha, 40,2; a França, 37,5; e a Espanha, 36,8.

O levantamento mostra ainda que, apesar dos avanços na última década, o fosso da Itália em relação à Europa se ampliou. Em 2015, a duração esperada no mercado de trabalho no país era de 30,7 anos; em uma década, a Itália ganhou 2,3 anos. No mesmo período, porém, a média da UE subiu de 34,9 para 37,5, elevando a diferença de 4,2 para 4,5 anos.

O dado mais crítico envolve as mulheres: no "Belpaese", a vida laboral esperada para elas é de apenas 28,4 anos, contra 35,4 anos na média europeia. A diferença entre homens e mulheres na Itália chega a 8,9 anos ? a maior de toda a UE.

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O indicador analisado pela CNA não mede a idade de aposentadoria nem o número de anos efetivamente trabalhados por quem tem emprego contínuo. Ele estima quanto tempo uma pessoa de 15 anos pode esperar permanecer na força de trabalho, ocupada ou desempregada, com base nas atuais condições demográficas e nos níveis de participação.

Segundo a entidade, o baixo resultado italiano reflete principalmente a entrada tardia dos jovens no mercado, carreiras descontínuas e a baixa participação feminina.

O cenário torna-se ainda mais preocupante diante do envelhecimento populacional: a idade mediana no país atingiu 49,1 anos, os maiores de 65 representam quase um quarto dos habitantes e a despesa com aposentadorias equivale a 15,5% do PIB ? a proporção mais alta da União Europeia.

"Em um país que envelhece rapidamente, deixar inutilizada uma parcela tão ampla do capital humano não representa apenas um problema social, mas um limite estrutural ao crescimento e à sustentabilidade futura do sistema previdenciário", disse o presidente da CNA, Dario Costantini.

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