Em alta, fenômeno "nem-nem" expõe contradições de um país que busca trabalhadores estrangeiros para suprir falta de mão de obra especializada em alguns setores.O número de jovens com idade entre 20 e 24 anos que não estudam nem trabalham aumentou na Alemanha e chegou a 10% em 2025, segundo dados recém-divulgados do Escritório Federal de Estatísticas. Em 2022, esse índice era de 8,8%.
Os motivos por trás desse fenômeno, conhecido no Brasil como "nem-nem" são diversos. Os estatísticos citaram o Relatório Nacional de Educação de 2024, segundo o qual 66% dos jovens nessa situação sequer estavam disponíveis para o mercado, 6% estavam prestes a retomar os estudos e 4% a assumir um trabalho.
Do universo de 10% de jovens nem-nem, portanto, apenas um em cada quatro (25%) constavam de fato como desempregados à procura de uma ocupação remunerada.
Entre os 66% indisponíveis para o mercado de trabalho, as razões mais frequentemente apontadas foram responsabilidades de cuidado com familiares (20%), limitações de saúde (18%) e expectativa de prosseguir com os estudos (17%).
Ainda assim, os números expõem as contradições de um país que recorre cada vez mais a trabalhadores estrangeiros para aliviar a falta crônica de mão de obra especializada em alguns setores, principalmente na saúde e no setor de obras.
"Perspectivas incertas para o futuro"
O Instituto de Ciências Econômicas e Sociais (WSI), ligado à Fundação Hans Böckler, próxima aos sindicatos, classifica a situação na Alemanha como "preocupante".
Para os jovens adultos afetados, isso significa "uma perspectiva de futuro incerta e uma trajetória profissional muito provavelmente marcada por dificuldades", afirma a diretora científica do WSI, Bettina Kohlrausch. "Para o mercado de trabalho alemão, isso significa a perda de profissionais importantes."
Kohlrausch defende que é preciso ampliar urgentemente a oferta de cursos de formação profissional de qualidade e apoiar mais a capacitação e a entrada no mercado de trabalho de adolescentes e jovens adultos.
Uma garantia real de acesso a cursos técnicos profissionalizantes seria um passo importante nessa direção, afirma ela.
Alemanha está melhor que a média da UE
Em comparação com os 27 Estados-membros da União Europeia (UE), contudo, a taxa alemã continua abaixo da média de 12,9%.
A menor proporção foi registrada na Holanda (5,6%), seguida por Suécia (7,3%) e República Tcheca (7,6%). Os índices mais altos foram observados na Romênia (22,8%), na Bulgária (17,3%) e na França (16,2%). Para Luxemburgo, não havia dados atualizados disponíveis.
No Brasil, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontou em 2025 que o número de jovens nem-nem chegou a 24% — os dados da entidade, porém, contabilizam jovens já a partir dos 18 anos. Pela mesmo recorte, a Alemanha também somava 10% de jovens nem-nem.
Situação desigual entre áreas urbanas e rurais
Internacionalmente, os jovens nem-nem são conhecidos como NEETs (Not in Employment, Education or Training), ou seja, pessoas que não estão empregadas, estudando ou em formação profissional.
Na Alemanha, as mulheres são ligeiramente mais afetadas do que os homens. Essa diferença também aparece na média da UE.
Já a comparação entre cidades e áreas rurais revela um quadro menos uniforme. Enquanto na Alemanha os jovens das grandes cidades estão mais frequentemente sem emprego ou formação profissional do que aqueles das regiões rurais, no conjunto da UE a situação se inverte.
ra/le (Reuters, dpa, AFP, kna, ots)
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