O papa Leão XIV se reunirá com vítimas de abuso sexual cometidos no âmbito da Igreja Católica nesta segunda-feira (8), em Madri, em um encontro privado que vinha sendo preparado há meses, segundo relatos divulgados pela imprensa espanhola neste domingo (7).
A informação foi confirmada por fontes da nunciatura apostólica citadas pela rádio Cadena Ser e pelo jornal La Razón. Embora o Vaticano ainda não tenha divulgado detalhes oficiais, a imprensa local informa que o encontro deverá ocorrer às 16h15 na sede da nunciatura, na capital espanhola.
A iniciativa havia sido antecipada pela Santa Sé na sexta-feira (5), poucas horas antes do início da viagem apostólica de Leão XIV à Espanha. Durante o voo para Madri, o pontífice classificou os abusos sexuais como "uma ferida que ainda está aberta" e confirmou sua intenção de ouvir algumas vítimas durante a visita ao país.
"Infelizmente, é impossível receber todos os que desejam", declarou o Papa aos jornalistas que o acompanhavam na viagem.
O encontro ocorre em um momento de crescente debate sobre os mecanismos de reparação às vítimas de abusos eclesiásticos na Espanha. Desde 15 de abril, cerca de 300 denúncias foram registradas junto ao escritório criado pelo Ministério da Presidência, Justiça e Relações com as Cortes para receber pedidos de reconhecimento e compensação pelos danos sofridos.
Apesar da expectativa em torno da reunião, associações de sobreviventes de abuso sexual criticaram a forma como o encontro foi organizado.
Em comunicado conjunto, diversas entidades que representam vítimas afirmaram que parte dos grupos historicamente envolvidos nas investigações e nos processos de reparação ficou de fora das conversas previstas com o pontífice.
"Por trás desta causa estão seres humanos que foram violentados.
Não queremos uma foto com o Papa: queremos direitos e reparações para todas as vítimas", declarou um porta-voz da Associação Nacional da Infância Roubada (ANIR), em nome de uma coalizão de organizações que reúne entidades de diferentes regiões do país.
As associações convocaram uma coletiva de imprensa para a manhã de segunda, às 10h, diante da Nunciatura Apostólica em Madri.
Elas defendem uma "escuta verdadeiramente inclusiva" e pedem que a Igreja e o Estado ampliem as medidas de apoio aos sobreviventes.
Entre as reivindicações estão o reconhecimento legal da condição de vítima, atendimento psicológico e psiquiátrico especializado por tempo indeterminado, programas de inclusão educacional e profissional e indenizações proporcionais aos danos sofridos.
Os grupos também solicitam soluções para casos excluídos dos atuais mecanismos de reparação, como denúncias arquivadas por falta de provas ou questões processuais.
"Nenhum sobrevivente deve ser relegado ou tornado invisível", afirmaram as entidades, que defendem um processo de verdade, justiça, reparação e garantias de não repetição que contemple todas as vítimas, sem exceção. .