Sérvia vai sepultar criminoso de guerra Ratko Mladic com 'honras de Estado'

General cumpria pena de prisão perpétua por massacres na antiga Iugoslávia

28 ago 2026 - 11h44
(atualizado às 12h18)
Resumo
O governo da Sérvia anunciou que o ex-líder militar Ratko Mladic, conhecido como "açougueiro dos Bálcãs" e condenado por genocídio no massacre de Srebrenica, terá um funeral com honras de Estado após falecer sob custódia em Haia. A decisão provocou forte descontentamento na União Europeia, que considerou o ato incompatível com os valores do bloco, enquanto o presidente sérvio acusou o tribunal internacional de tratamento injusto e exigiu apurações sobre a assistência médica recebida por Mladic.

O ex-líder militar sérvio-bósnio Ratko Mladic, conhecido como "açougueiro dos Bálcãs" por seu papel no massacre de Srebrenica, na Bósnia e Herzegovina, e condenado à prisão perpétua por genocídio, crimes de guerra e contra a humanidade, terá um funeral com "honras de Estado".

O anúncio foi feito nesta sexta-feira (28) pelo ministro da Justiça da Sérvia, Nenad Vujic, e provocou irritação na União Europeia, que ainda analisa a candidatura de Belgrado a entrar no bloco. Doente havia tempos, o general morreu na última quinta (27), em Haia, na Holanda, onde cumpria a pena imposta pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPI).

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"Estamos prontos para partir para Haia assim que soubermos os próximos passos, no pleno respeito de todos os desejos da família do general Mladic", declarou Vujic à emissora local K1.

"Cabe a eles [aos familiares] decidir. É certo que o general Mladic receberá todas as honras militares e de Estado que merece", acrescentou o ministro.

Questionado pela ANSA sobre o assunto, um porta-voz da Comissão Europeia, poder Executivo da UE, afirmou que "glorificações de criminosos de guerra estão em contraste com os valores europeus mais fundamentais e não têm lugar nem na União, nem nos países candidatos".

Memorial pelas vítimas de Ratko Mladic em Srebrenica, na Bósnia e Herzegovina

O governo da Sérvia chegou a pedir ao TPI que Mladic fosse libertado para passar os últimos dias em sua pátria, porém o tribunal rechaçou a solicitação, alegando que o criminoso de guerra recebia todos os tratamentos paliativos necessários.

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"Haia queria que Mladic morresse atrás das grades, não queria que o general morresse na Sérvia, onde ele gostaria, e este é um comportamento contrário à civilização, sem precedentes e sem justificativas", declarou o presidente do país balcânico, Aleksandar Vucic.

"Os criminosos de guerra que cometeram crimes contra os sérvios foram libertados", acrescentou o mandatário, que acusou o Ocidente de tratar os sérvios como os "únicos culpados" pelo banho de sangue que marcou o processo de desmantelamento da antiga Iugoslávia nos anos 1990.

Já Vujic também anunciou que enviará uma carta ao Mecanismo Residual de Haia ? órgão que substituiu o extinto Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia ? exigindo que a investigação sobre a morte de Mladic não se limite a determinar a causa imediata, mas que também apure se ele recebeu tratamento médico adequado nos últimos dias de vida.

Mladic foi condenado pelo TPI por ter orquestrado o massacre de Srebrenica, ocorrido em julho de 1995, quando as forças sérvio-bósnias comandadas pelo general executaram mais de 8 mil homens e meninos bosníacos (como são chamados os muçulmanos da Bósnia e Herzegovina) que haviam buscado refúgio na pequena cidade, então sob proteção de tropas holandesas da ONU.

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Outro artífice do maior massacre na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, Radovan Karadzic, ex-líder político dos sérvio-bósnios, foi sentenciado a 40 anos de prisão. Mladic também supervisionou o brutal cerco a Sarajevo, entre 1992 e 1995, quando milhares de homens, mulheres e crianças foram assassinados por franco-atiradores escondidos nas montanhas ao redor da cidade.

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