Dois italianos foram presos nesta terça-feira (7) em Roma pelos carabineiros sob acusação de espionagem à Rússia e acesso não autorizado a sistemas de informática.
O principal suspeito, Gavino Raoul Piras, de 59 anos, natural de Sassari, na Sardenha, é um ex-integrante da agência de inteligência italiana, Aisi, e ex-sargento dos carabineiros. Ele é acusado de realizar atividades de espionagem em troca de dinheiro para um suposto agente de inteligência russo que goza de imunidade diplomática na Itália. O italiano obteve informações por meio de seis fontes, incluindo quatro militares na ativa, todos sob investigação.
Já o segundo detido é Vincenzo di Pasquale, originário de Matera, na Basilicata. Assim como Piras, ele também tem 59 anos e é ex-agente da Aisi.
As investigações, iniciadas há um ano sob indicação da agência de inteligência, revelam que os segredos de Estado eram compartilhados em bilhetes trocados durante encontros em parques ou bares.
Piras fornecia a agentes russos, que se passavam por diplomatas, informações de inteligência e detalhes sobre armamentos de fabricação italiana, em troca de envelopes contendo 4 mil euros (R$ 23,6 mil) em espécie: esse era o preço combinado por cada informação de altíssimo sigilo, obtida por meio de infiltrados no setor de defesa cibernética das Forças Armadas.
Imagens captadas pelos investigadores mostram Piras passando bilhetes manuscritos, trocando celulares escondidos dentro de um micro-ondas ou escondendo cartões de memória digital em uma fenda de um muro na rua.
O sardo descrevia-se como um analista de inteligência independente após o fim de sua carreira profissional, que conta no currículo com formação na escola da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), na Alemanha.
Os demais investigados são: Davide Piantanida, 46 anos, de Foggia (Puglia); Gianluca Nardella, 47 anos, de Foggia; Giuseppe Tempesta, 55 anos, de Bari (Puglia); Sergio Romeo, 57 anos, de Messina (Sicília); e Antonio Guerra, 69 anos, de Bari. .