Os novos contratos de armamento, assinados pela Otan, são uma clara tentativa de convencer Trump de que os europeus estão levando a sério o reforço de suas capacidades de defesa, como exigem os Estados Unidos. No ano passado, o presidente americano conseguiu que europeus e Canadá se comprometessem a destinar ao menos 5% do PIB à segurança. Muitos ainda estão longe desse patamar, mas o secretário‑geral da Otan, Mark Rutte, acredita que pode convencer o republicano de que o movimento já começou.
Nesta terça-feira, Rutte apresentou uma série de iniciativas para ampliar a cooperação militar e industrial entre os aliados. Entre elas, um investimento de US$ 40 bilhões (cerca de R$ 216 bilhões) nos próximos cinco anos em sistemas de combate a drones, além da criação de coalizões multinacionais para compras conjuntas de equipamentos. A Aliança também anunciou a aquisição de drones de vigilância MQ‑4C Triton, que complementarão a frota de RQ‑4D Phoenix baseada em Sigonella, na Itália, e a formação de uma nova frota estratégica de aviões A400M, além da expansão da de A330 MRTT, já existente.
O secretário-geral destacou que os países europeus da Otan e o Canadá aumentaram seus gastos militares em cerca de 20% em 2025, um acréscimo de US$ 90 bilhões (cerca de R$ 486 bilhões) em relação ao ano anterior, ultrapassando US$ 570 bilhões (aproximadamente R$ 3,08 trilhões). Os Estados Unidos também discutem com a Alemanha e outros países a criação de linhas de produção conjuntas de mísseis, diante da pressão sobre os estoques americanos causada pelos conflitos na Ucrânia e no Irã.
No fim de junho, o Comissário Europeu para a Defesa, Andrius Kubilius, afirmou que a Europa precisava substituir rapidamente as capacidades militares que os Estados Unidos vão retirar do continente. Caso contrário, esta retirada representaria "um convite aberto" para o presidente russo, Vladimir Putin, "testar" a capacidade de dissuasão dos aliados europeus.
Fontes disseram à Reuters que Trump pode sinalizar ao presidente turco que está disposto a permitir o retorno da Turquia ao programa dos caças F‑35, do qual o país foi excluído em 2019 após adquirir o sistema russo S‑400.
"Química" com Erdogan e insistência na Groenlândia
Ao lado do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, a quem chamou de "amigo", Trump voltou a criticar os aliados europeus por, segundo ele, não terem apoiado os Estados Unidos na ofensiva contra o Irã. "Fiquei muito decepcionado com a Otan", disse, afirmando que talvez nem tivesse comparecido ao encontro se ele não fosse realizado na Turquia.
Apesar das críticas, o presidente americano adotou um tom mais contido do que nas últimas semanas e até elogiou a primeira‑ministra italiana, Giorgia Meloni, após um recente atrito.
Perguntado sobre a Groenlândia, o republicano voltou a afirmar que os Estados Unidos deveriam controlar o território semiautônomo administrado pela Dinamarca.
"Esse território deveria estar sob controle dos Estados Unidos, e não da Dinamarca", declarou à imprensa durante uma conversa com o presidente Erdogan.
Trump novamente acusou a Dinamarca de não investir o suficiente para garantir a segurança da Groenlândia, repetindo sua alegação de que a ilha estaria "cercada por navios chineses e russos". Ele também afirmou que essa questão "prejudicou (suas) relações com a Otan".
Com agências