O Partido Nacional Independente (RSP, de centro), do novo premiê, conquistou a maioria absoluta, com 182 dos 275 assentos. "Eu, Balendra Shah, em nome do povo e do país, prometo respeitar a Constituição e cumprir fielmente meu dever como primeiro-ministro", declarou ele, vestido de preto e usando óculos escuros, ao prestar juramento diante do presidente Ram Chandra Poudel.
Balendra Shah publicou um vídeo nas redes sociais nesta quinta-feira (26) pedindo unidade. "Nepaleses unidos, a história está em marcha", canta ele no clipe de rap que mistura imagens da campanha eleitoral. "Meu coração está cheio de coragem, meu sangue ferve, meus irmãos estão ao meu lado, desta vez nós nos levantaremos", continua "Balen" Shah. "Desta vez, a alegria e a felicidade explodirão em todos os lares (...) não vou me cansar, vou correr como um leopardo." O vídeo tinha quase 3 milhões de visualizações na sexta-feira.
A chegada de "Balen" ao governo marca o surgimento, no Nepal, de uma nova geração de líderes. Engenheiro civil de formação, Shah ganhou notoriedade na cena underground do hip-hop nepalesa ao denunciar a corrupção das elites e as desigualdades. Em 2022, foi eleito, para surpresa geral, prefeito de Catmandu.
Durante a campanha, apresentou-se como porta-voz das reivindicações da "Geração Z", prometendo acabar com a corrupção das elites e com o desemprego que força muitos nepaleses a emigrar em busca de trabalho.
Reconstrução
Um dos líderes da revolta, Sudan Garang, foi nomeado na sexta-feira ministro do Interior. O novo ministro das Finanças, Swarnim Wagle, é ex-economista da ONU; já o das Relações Exteriores, Shishir Khanal, foi ministro da Educação em um governo anterior.
"Balen e sua equipe têm a chance de reconstruir este país, de trabalhar pelo povo", disse Nimisha Shrestha, estudante de 23 anos que aguardava diante do palácio presidencial. "Espero que eles não nos decepcionem."
O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, celebrou rapidamente a oportunidade de elevar, junto com Balendra Shah, a cooperação bilateral "a novos patamares". O porta-voz da diplomacia chinesa, Lin Jian, prometeu "todo o apoio" de Pequim ao novo líder nepalês.
A posse de Shah marcou o fim da transição conduzida pela ex-presidente da Suprema Corte Sushila Karki, 73. "Estou feliz com o futuro radiante que se abre para o país", declarou ela em seu último discurso, na quinta-feira, antes de retornar à aposentadoria.
Comissão de inquérito
Entre seus primeiros desafios, Balendra Shah terá de decidir quais medidas tomar diante das conclusões da comissão de inquérito sobre os eventos de setembro. Em relatório publicado pela imprensa na quinta-feira, a comissão recomendou ações penais contra Oli, seu ministro do Interior e o chefe da polícia. Os dois dias de distúrbios resultaram na morte de ao menos 76 pessoas e mais de 2.400 feridos, segundo o documento.
O ex-primeiro-ministro comunista negou ter ordenado que a polícia atirasse contra manifestantes em 8 de setembro. Naquele dia, milhares de jovens tomaram as ruas de Catmandu e de outras cidades do país para protestar contra o bloqueio das redes sociais e contra a corrupção das elites. Pelo menos 19 manifestantes foram mortos a tiros na capital, e dezenas ficaram feridos.
Embora a comissão não tenha "conseguido estabelecer se houve ordem formal para atirar", concluiu que "nenhum esforço foi feito para parar ou conter os disparos". O relatório menciona que as autópsias de 48 vítimas revelaram ferimentos fatais provocados por projéteis. Em 9 de setembro, uma multidão enfurecida destruiu, incendiou ou saqueou numerosos prédios públicos, incluindo o Parlamento. O calma só voltou à noite, com o envio do Exército.
Com agências