Guerra no Oriente Médio: Exército israelense está ameaçado por escassez de efetivo

O Exército israelense está à beira do colapso, esgotado pelas várias guerras travadas pelo país. A crise de falta de efetivos volta a colocar o recrutamento de judeus ultraortodoxos no centro do debate e abala a confiança na capacidade de segurança nacional de Israel.

27 mar 2026 - 14h57

Michel Paul, correspondente da RFI em Jerusalém

"Estou levantando dez bandeiras vermelhas." A frase do chefe do Estado‑Maior israelense, Eyal Zamir, divulgada após uma tensa reunião de segurança, teve efeito devastador. Segundo o alto comando, o Exército não está mais apenas à beira do abismo — já o ultrapassou, devido à sobrecarga operacional e à falta de efetivo.

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Com o país combatendo em múltiplas frentes, o risco de um esgotamento estrutural nas Forças Armadas deixou de ser uma possibilidade e se tornou uma emergência. Entre a crise de recrutamento dos ultraortodoxos e a fadiga extrema dos reservistas, os líderes militares afirmam estar no limite.

A intensificação dos conflitos, somada à falta de prorrogação do serviço militar, reduziu o efetivo. Zamir estima uma escassez de 15 mil soldados, incluindo de 7 mil a 8 mil combatentes.

A recusa do governo em legislar sobre o alistamento de judeus ultraortodoxos é cada vez mais impopular entre os reservistas, exaustos após meses mobilizados. A maioria da população exige o fim da isenção concedida aos haredim — "tementes a Deus", em hebraico.

Oposição de Netanyahu aproveita a oportunidade

Mas Benjamin Netanyahu, dependente dos aliados ultraortodoxos para manter sua coalizão, tem recorrido a todos os meios para adiar a votação do projeto de lei sobre o alistamento.

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O líder da oposição, Yair Lapid, acusa o governo de deixar "um exército abandonado no campo de batalha" por puro cálculo político e alerta para um "desastre de segurança".

"O governo não está vencendo em lugar nenhum — nem no Líbano, nem em Gaza [...]. No Irã, veremos", declarou Naftali Bennett, ex‑primeiro‑ministro e figura de direita que, segundo pesquisas, é hoje o nome mais capaz de derrotar Netanyahu nas eleições previstas para daqui a seis meses. "Nosso principal objetivo no Irã era desmantelar o programa nuclear, mas ainda existem 460 quilos de urânio enriquecido no país", acrescentou em entrevista ao canal N12.

Embora aliados de Netanyahu classifiquem essas declarações como irresponsáveis em tempos de guerra, a preocupação também cresce nas fileiras do Likud, o partido do primeiro‑ministro. Sem reforços imediatos, alerta o comando militar, o Exército pode em breve ficar incapaz de cumprir até mesmo missões de rotina — o que representaria uma ameaça direta à segurança nacional.

Segundo uma pesquisa divulgada na noite de quinta‑feira (27) pelo canal N12, 60% dos israelenses apoiam a continuidade da guerra contra o Irã, e 67% defendem a continuação das operações contra o Hezbollah no Líbano.

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