O Hezbollah ampliou seus ataques contra Israel com o objetivo declarado de retaliar a morte do líder supremo iraniano aiatolá Ali Khamenei e reafirmar a aliança histórica mantida com o Irã, principal financiador e apoiador do grupo.
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A entrada na escalada do conflito ocorreu após a morte de Khamenei, registrada no sábado, dia 28. O Hezbollah assumiu a responsabilidade pelos disparos, classificando a ação como resposta imediata e como medida de defesa do território libanês.
Internamente, porém, a ofensiva provocou uma reação política incomum no Líbano. O primeiro-ministro Nawaf Salam determinou a suspensão das atividades militares do grupo e exigiu que seja entregue seu arsenal ao Estado.
O Hezbollah é um movimento islâmico xiita do Líbano que, assim como o Hamas, defende o fim do Estado de Israel. Desde que surgiu, o grupo tem sido acusado de promover e executar ataques contra alvos israelenses e judeus.
Diversos países o classificam como organização terrorista. Os Estados Unidos e Israel adotam essa designação para toda a organização, assim como alguns integrantes da Liga Árabe. Já a União Europeia inclui especificamente o braço armado do Hezbollah em sua lista de grupos terroristas.
O nome Hezbollah significa “Partido de Deus”. Trata-se, ao mesmo tempo, de um partido político e de uma força paramilitar apoiada pelo Irã. A liderança do grupo esteve por muitos anos nas mãos de Hassan Nasrallah, mas após sua morte passou a ser exercida por Naim Qassem, período em que a organização ampliou seu poder até se tornar a força militar mais influente do Líbano.
Com o passar dos anos, o movimento consolidou presença nas instituições libanesas e passou a exercer influência direta no governo, inclusive com poder de veto em determinadas decisões do Executivo. Embora parte da população veja o grupo como fator de instabilidade interna, ele mantém forte apoio entre a comunidade xiita que representa.
Mesmo pertencendo a vertentes diferentes do Islã -- o Hezbollah é xiita e o Hamas é sunita -- ambos compartilham a oposição a Israel. Ainda assim, posicionaram-se em lados opostos na guerra civil da Síria: o Hezbollah apoiou o governo de Bashar al-Assad, enquanto o Hamas demonstrou apoio a forças contrárias ao regime sírio.
Origens do movimento
A formação do Hezbollah está ligada aos acontecimentos de 1982, quando Israel invadiu o sul do Líbano após ataques realizados por militantes palestinos, incluindo uma tentativa de assassinato do embaixador israelense no Reino Unido. Na época, o então ministro da Defesa israelense, Ariel Sharon, declarou como objetivo expulsar a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) da região.
Diante da invasão, líderes xiitas libaneses que defendiam uma reação armada romperam com o Movimento Amal, importante milícia xiita durante a Guerra Civil Libanesa (1975–1990). Esses dissidentes organizaram um novo grupo, inicialmente conhecido como Amal Islâmico, que contou com apoio e treinamento da Guarda Revolucionária iraniana, criada após a Revolução Islâmica de 1979.
Posteriormente, essa estrutura se uniu a outros grupos e deu origem ao Hezbollah.
Objetivos
Em 1985, o grupo divulgou uma “carta aberta” anunciando oficialmente sua criação. No documento, apontava Estados Unidos e União Soviética como inimigos do Islã e estabelecia a destruição de Israel como meta central.
O governo norte-americano responsabiliza o Hezbollah pelos atentados contra a embaixada dos EUA e contra o quartel de fuzileiros navais em Beirute, em 1983, ataques que resultaram na morte de militares americanos e franceses e contribuíram para a retirada das forças ocidentais de manutenção da paz.
Com o fim da guerra civil libanesa em 1990, após a intervenção síria que estabilizou o país, o Hezbollah manteve suas operações armadas no sul do Líbano, mas também intensificou sua atuação política. Em 1992, participou pela primeira vez de eleições legislativas e conquistou representação significativa no Parlamento.
Em 2009, após ampliar sua presença parlamentar, o grupo apresentou um novo manifesto político. Nele, retirou a proposta explícita de instaurar uma república islâmica no Líbano, mas reafirmou sua postura firme contra Israel e os Estados Unidos, além de sustentar a necessidade de manter seu arsenal militar.
Devido ao peso político, à estrutura armada própria e à rede de serviços sociais que mantém, incluindo escolas e hospitais, o Hezbollah é frequentemente descrito como “um Estado dentro do Estado”. Sua capacidade militar e influência rivalizam com as instituições oficiais libanesas, superando inclusive o próprio Exército do país. *Com informações da BBC