O presidente dos Estados Unidos Donald Trump disse na terça-feira que ordenou à Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA que forneça seguro contra riscos políticos e garantias financeiras para o comércio marítimo que transita pelo Golfo, acrescentando que a Marinha dos EUA pode escoltar petroleiros pelo Estreito de Ormuz, se necessário.
O anúncio marca uma das medidas mais agressivas do governo norte-americano até o momento para conter o aumento dos preços no setor de energia e acalmar os mercados de petróleo em meio ao crescente conflito no Oriente Médio, que intensificou os riscos para o transporte marítimo pelas principais vias navegáveis.
Trump tem feito da redução dos custos de combustível para os norte-americanos o ponto central de sua mensagem econômica, e a medida sinaliza a disposição de usar ferramentas financeiras e militares para evitar interrupções no abastecimento global de petróleo bruto.
"Não importa o que aconteça, os Estados Unidos vão garantir o livre fluxo de energia para o mundo", disse Trump em uma postagem nas redes sociais, acrescentando que medidas adicionais estão por vir.
Os preços globais do petróleo bruto [O/R] dispararam desde que as forças israelenses e norte-americanas começaram a atacar o Irã no fim de semana, levando a combates que interromperam os embarques de petroleiros no Oriente Médio.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o secretário de Energia, Chris Wright, devem se reunir com Trump na tarde desta terça-feira para apresentar uma lista de propostas para resolver a questão e finalizar uma resposta, disseram duas fontes familiarizadas com o plano à Reuters, sob condição de anonimato.
Trump disse a jornalistas nesta terça-feira que os norte-americanos podem ter que conviver com preços mais altos do petróleo por um curto período, "mas assim que isso acabar, esses preços vão cair, acredito, para níveis ainda mais baixos do que antes".
Caso os preços mais altos da energia persistam, eles poderão prejudicar os esforços de parlamentares do Partido Republicano, de Trump, para manter o poder nas eleições de meio de mandato em novembro.
RISCO DE GUERRA
Os embarques de petróleo foram amplamente bloqueados no Estreito de Ormuz, estreita via navegável entre o Irã e Omã pela qual cerca de um quinto do petróleo mundial é transportado, com diversos petroleiros danificados por ataques e outros encalhados.
Empresas de transporte marítimo e seguradoras começaram a reavaliar sua exposição à região. Os prêmios de risco de guerra aumentaram e alguns provedores reduziram ou retiraram a cobertura, segundo fontes do setor.
Os custos mais elevados dos seguros tornaram o transporte mais caro para os petroleiros dispostos a arriscar passar pela área, levando alguns operadores a adiar viagens ou buscar rotas alternativas.
O apoio dos EUA ao seguro de petroleiros não é inédito. Durante o conflito Irã-Iraque, na década de 1980, Washington rebatizou petroleiros e forneceu escolta naval quando seguradoras privadas retiraram a cobertura. Após os ataques de 11 de setembro de 2001, os EUA emitiram apólices de seguro para manter o transporte marítimo em movimento em meio a prêmios elevados de risco de guerra.
O secretário de Estado, Marco Rubio, disse a jornalistas na segunda-feira que os EUA têm um "programa em vigor" para combater o aumento dos preços da energia e que ele deve ser implementado por Wright e Bessent.
"A partir de amanhã, vocês nos verão lançando essas fases para tentar mitigar isso", disse Rubio, sem fornecer detalhes.
O governo tem relutado em recorrer à Reserva Estratégica de Petróleo do país, mas autoridades podem sinalizar já nesta terça-feira que estão preparadas para usá-la se os preços continuarem subindo, disse uma fonte.