“Brasileiras são programadas para arrumar confusão”. Foi o que disse o enviado especial para assuntos globais do governo Trump, Paolo Zampolli, em declaração à rede italiana RAI, no último domingo, 19. Na entrevista, onde também chamou as mulheres de “raça maldita”, ele falava sobre a ex-modelo Amanda Ungaro, brasileira com quem foi casado por quase 20 anos. Mas, afinal, quem é esse conselheiro do presidente norte-americano? Confira!
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Paolo Zampolli tem 56 anos e nasceu em Milão, em uma família rica. Empresário italiano, ele tem uma longa trajetória como aliado de Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos. A amizade entre os dois começou quando ele atuava como agente de modelos -- sendo, inclusive, o responsável por apresentar Trump à sua atual esposa, a ex-modelo Melania Knauss, em 1998.
Em março de 2025, Zampolli assumiu o cargo como Representante Especial dos Estados Unidos para Parcerias Globais. Mas não foi o primeiro cargo que teve ao lado do republicano. Em 2020, no primeiro mandato de Trump, foi nomeado para o conselho de curadores do Kennedy Center, um órgão de administração do Centro John F. Kennedy para as Artes Cênicas, em Washington.
A história de Zampolli com sua ex-esposa brasileira começou em 2002, quando se conheceram. Amanda Ungaro era uma modelo adolescente de Londrina que foi levada aos Estados Unidos por Jeffrey Epstein em uma aeronave com outras 30 meninas, conforme relatou em entrevista ao O Globo.
Quando se conheceram, a brasileira tinha 17 anos e Zampolli 32 anos. Eles começaram um relacionamento em poucos meses. Foram 19 anos de relacionamento, até que se separaram oficialmente em 2021. Ela relata que durante esse tempo de relacionamento, sofreu violência doméstica e abuso sexual por parte do ex-companheiro.
A brasileira conta ter sido vítima de abuso sexual na mansão em que o casal dividia em Gramercy Park, Nova York. No dia seguinte a uma festa, o ex-companheiro comentou casualmente que teve relações com ela, enquanto ela estava dormindo. Ele disse que Amanda não se lembraria, que havia desmaiado, e riu quando ela lhe disse que isso era estupro.
Em outra ocasião, ela afirma que foi agredida depois de se recusar a fazer sexo com o italiano. Ela se arrumava para ir trabalhar, por volta das 7h, quando tudo aconteceu. "Estava me arrumando quando ele veio para cima de mim e me deixou toda marcada. Foi assim que procurei um advogado e começou o processo na Suprema Corte, em 2018, para eu poder me separar”, conta. Ainda conforme Amanda, as violências seguiram depois que o filho nasceu -- que agora é um adolescente de 15 anos.
A dinâmica do casal também foi afetada quando Trump foi eleito pela primeira vez, em 2016. Ela conta que parecia que o ex-marido era quem tinha sido eleito. “Aquilo mexeu muito com a cabeça dele. Ele se transformou completamente, e isso acabou piorando ainda mais o nosso relacionamento que já estava em crise”, reforça.
O casal passou a ser convidado para todos os eventos de Donald e Melania Trump, como as festas de Ano Novo realizadas em Mar-a-Lago, clube de Trump na Flórida. Zampolli era mais próximo da primeira-dama do que do presidente norte-americano. “Eles sempre trocavam mensagens. Era ela quem nos convidava para os eventos e quem mandava presentes para o meu filho. No aniversário do Giovanni, a primeira ligação era sempre dela”, afirma.
Com o episódio de violência doméstica, a ex-modelo decidiu terminar o casamento, o que chamou a atenção da imprensa americana em 2018. Isso porque o tabloide Page Six noticiou que o italiano defendia que, apesar do relacionamento ter quase duas décadas, os dois não eram casados legalmente, portanto, ela não poderia exigir pensão alimentícia.
O empresário disse ainda que acionou autoridades do governo dos EUA por temer que Amanda levasse o filho para o Brasil. A separação do casal não durou muito, e o italiano declarou na época que Trump foi o responsável pela mediação.
Alguns anos depois, eles se separaram oficialmente, quando surgiram boatos de um caso extraconjugal de Zampolli. Desde então, ela disputa judicialmente a guarda do filho do casal. Em outubro de 2025, ela retornou ao Brasil depois de ser deportada. A ex-modelo aponta que o ex-companheiro usou sua influência no governo para provocar sua prisão e deportação.