A ex-modelo brasileira Amanda Ungaro viveu 19 anos com o italiano Paolo Zampolli, um dos aliados do presidente norte-americano Donald Trump. Ela relata que durante esse tempo de relacionamento, sofreu violência doméstica e abuso sexual por parte do ex-companheiro. A informação é do jornal O Globo.
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Em 2002, ela tinha 17 anos e embarcou no avião de Jeffrey Epstein, financista acusado por crimes sexuais. Segundo Amanda, cerca de 30 meninas estavam junto dele e de sua cúmplice, Ghislaine Maxwell. O relacionamento com Zampolli começou meses depois disso e acabou em 2021, com alguns traumas e a disputa pela guarda do filho do casal, um adolescente de 15 anos.
A brasileira conta que o abuso sexual ocorreu na mansão que o casal dividia em Gramercy Park, Nova York. No dia seguinte a uma festa, o ex-companheiro comentou casualmente que teve relações com ela, enquanto ela estava dormindo. Ele disse que Amanda não se lembraria, que havia desmaiado, e riu quando ela lhe disse que isso era estupro.
Em outra ocasião, ela afirma que foi agredida depois de se recusar a fazer sexo com o italiano. Ela se arrumava para ir trabalhar, por volta das 7h, quando tudo aconteceu. Estava me arrumando quando ele veio para cima de mim e me deixou toda marcada. Foi assim que procurei um advogado e começou o processo na Suprema Corte, em 2018, para eu poder me separar”, relata.
Ainda conforme Amanda, as violências começaram depois que o filho nasceu. Quando estava grávida, chegou a pedir para que Zampolli diminuísse o ritmo das festas, que costumavam ser quase que intermináveis e iam até tarde da noite na mansão do casal, e parasse de sair todos os dias.
“Ele sempre ignorou”, relembra. “Quando o Giovanni nasceu, ele estava na Provocateur [club nova-iorquino], festejando com os amigos dele e eu no hospital tendo meu filho”, destaca.
A relação com Donald Trump
A dinâmica do casal também foi afetada quando Trump foi eleito pela primeira vez, em 2016. Ela conta que parecia que o ex-marido era quem tinha sido eleito. “Aquilo mexeu muito com a cabeça dele. Ele se transformou completamente, e isso acabou piorando ainda mais o nosso relacionamento que já estava em crise”, reforça.
O casal passou a ser convidado para todos os eventos de Donald e Melania Trump, como as festas de Ano Novo realizadas em Mar-a-Lago, clube de Trump na Flórida. Zampolli era mais próximo da primeira-dama do que do presidente norte-americano.
“Eles sempre trocavam mensagens. Era ela quem nos convidava para os eventos e quem mandava presentes para o meu filho. No aniversário do Giovanni, a primeira ligação era sempre dela”, afirma.
Com o episódio de violência doméstica, a ex-modelo decidiu botar um fim no casamento, o que chamou a atenção da imprensa americana em 2018. Isso porque o tabloide Page Six noticiou que o italiano defendia que, apesar do relacionamento ter quase duas décadas, os dois não eram casados legalmente, portanto, ela não poderia exigir pensão alimentícia.
O empresário disse ainda que acionou autoridades do governo dos EUA por temer que Amanda levasse o filho para o Brasil. A separação do casal não durou muito, e o italiano declarou na época que Trump foi o responsável pela mediação.
“O Trump chamou o Paolo de lado e perguntou: ‘Vocês voltaram? Como está o relacionamento?’. O Paolo respondeu que estávamos tentando, e o Trump disse: ‘Você deveria ficar com a mãe do seu filho, porque ela é a mãe do seu filho. Vocês têm uma família’, afirma Amanda.
Alguns anos depois, eles se separaram oficialmente, quando surgiram boatos de um caso extraconjugal de Zampolli. Desde então, ela disputa judicialmente a guarda do filho do casal. Em outubro de 2025, ela retornou ao Brasil depois de ser deportada. A ex-modelo aponta que o ex-companheiro usou sua influência no governo para provocar sua prisão e deportação.
Ao O Globo, Zampolli declarou que desejava apenas “o melhor” para Amanda, além de dizer que as alegações sobre a sua deportação eram “absurdas”.