Amigo de Trump pediu para ICE deportar ex-mulher, diz NYT
Reportagem teve acesso a registros de que representante pediu ajuda do governo para deportar a brasileira Amanda Ungaro em meio a disputa por custódia de filho. Ex-modelo foi vítima de Jeffrey Epstein.O ex-agente de modelos Paolo Zampolli, apontado como o responsável por apresentar o presidente Donald Trump à sua esposa, Melania, pediu ajuda do governo na disputa pela custódia de seu filho, afirma reportagem publicada nesta sexta-feira (20/03) pelo New York Times.
Segundo o jornal, Zampolli, que se tornou representante especial do presidente, teria ligado em junho de 2025 para o então alto funcionário do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE), David Venturella, após a prisão de sua ex-namorada, a brasileira Amanda Ungaro, em Miami. Ela havia sido detida sob acusação de fraude no local de trabalho.
Zampolli soube da prisão e sugeriu a autoridades que sua ex-mulher estava irregular no país, questionando a possibilidade de transferi-la para uma detenção do ICE, segundo registros obtidos pelo jornal e uma fonte a par do assunto.
De acordo com o NYT, Venturella acionou o escritório do ICE em Miami, destacando que o caso interessava a alguém próximo da Casa Branca, para garantir que agentes do órgão buscariam Ungaro na prisão antes que ela fosse libertada sob fiança. Ela foi colocada sob custódia do ICE e acabou sendo deportada.
Atualmente no Brasil, Ungaro disse ao NYT acreditar que a influência de Zampolli foi determinante na sua deportação e relatou que ele teria prometido casamento e estabilidade migratória durante o relacionamento.
O Departamento de Segurança Interna, que supervisiona o ICE, afirmou em comunicado que Ungaro foi detida e deportada porque seu visto estava vencido e ela havia sido acusada de fraude. "Qualquer sugestão de que ela foi presa e removida por motivos políticos ou favores é FALSA", afirmou o órgão, em comunicado.
Ligações com Jeffrey Epstein
Apesar do cargo não tão relevante em Washington, Zampolli é conhecido por ostentar sua proximidade com a família Trump. Procurado pelo jornal, ele negou ter pedido ao ICE para deter a ex-mulher ou ter solicitado qualquer outro favor. Ele alegou ter pedido informações sobre o caso a Venturella.
Zampolli e Trump eram grandes frequentadores da cena noturna de Nova York nos anos 1990 e, segundo o próprio Zampolli, compartilhavam o gosto por "coisas bonitas". Durante muito tempo, ambos repetiram a história de que foi Zampolli quem apresentou Trump à então modelo Melania Knauss em 1998, no Kit Kat Club, após tê-la contratado na Eslovênia.
Zampolli também teve contato com Jeffrey Epstein, o financista posteriormente acusado de abusar de meninas e jovens. Os dois chegaram a conversar sobre a compra conjunta de uma agência de modelos, e o nome de Zampolli aparece diversas vezes nos documentos de Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça.
Ele falou ao jornal de suas antigas conexões com Epstein, embora negue qualquer vínculo próximo e envolvimento com aliciamento de menores.
"Pelo menos fui incluído, porque se você não está na lista, você é um perdedor, certo?", disse ao NYT.
A brasileira Amanda Ungaro tinha 17 anos quando chegou a Nova York em 2002, vindo de Paris no avião de Jeffrey Epstein, acompanhada de seu agente francês, segundo a reportagem. Ela afirma que nunca mais encontrou Epstein e que conheceu Zampolli ainda naquele ano.
Segundo Ungaro, Zampolli a atraiu como cliente, a convenceu a se mudar para os Estados Unidos e iniciou com ela um relacionamento amoroso que duraria cerca de duas décadas. Zampolli, porém, afirma que o envolvimento só começou quando ela já tinha 19 anos.
sf (OTS)