'Derrubar o sistema' e 'tome cuidado comigo': o que ex-modelo brasileira promete revelar sobre Trump e Epstein
Brasileira afirma ter convivido por duas décadas com o círculo próximo de Donald Trump e da esposa, Melania
A brasileira Amanda Ungaro, de 41 anos, ex-modelo e ex-esposa de Paolo Zampolli -- amigo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump -- publicou uma série de mensagens no X em que afirmou que pretende "derrubar todo o sistema" e revelar "tudo o que sabe" sobre o republicano, a quem se referiu como "pedófilo", e sobre a primeira-dama, Melania Trump, "mesmo que seja a última coisa que faça na minha vida".
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Ela voltou a repercutir nas redes sociais neste sábado, 11, após publicar os desabafos e ameaças em resposta a um vídeo de Melania. A primeira-dama dos Estados Unidos negou qualquer ligação com o criminoso sexual Jeffrey Epstein, mas Amanda afirmou que esteve “ao redor” do casal Trump por duas décadas e declarou que pretende adotar medidas legais contra Melania e Trump. Desde então, o perfil da primeira-dama foi arquivado, e as postagens da ex-modelo acabaram sendo removidas.
“Eu vou derrubar o seu sistema corrupto, mesmo que seja a última coisa que eu faça na minha vida. Eu vou até o fim -- não tenho medo. Talvez você devesse ter medo do que eu sei… de quem você é e de quem é o seu marido (...) Eu não tenho mais nada a perder na minha vida. Eu vou derrubar todo o sistema -- tome cuidado comigo, sua idiota”, afirmou Amanda.
“Você sabia que eu estava detida no ICE [polícia de imigração americana]. Você esteve presente na minha vida -- todos os anos no aniversário do meu filho, inclusive enviando o Serviço Secreto e sendo a primeira a parabenizá-lo, lá em 2016. Algo claramente estava errado, mas eu não faço parte de nenhuma missão maligna envolvendo crianças. Então o que você fez, Melania? Você tentou me envolver, mas falhou -- porque eu tenho caráter”, acrescentou a ex-modelo em referência a quando foi deportada pelo ICE em 2025.
Quem é a ex-modelo brasileira
Amanda Ungaro chegou ao Brasil em outubro de 2025 depois de ser deportada pela polícia de imigração dos Estados Unidos, o ICE, após 23 anos vivendo no país. Em entrevista exclusiva ao GLOBO em fevereiro, ela atribuiu essa deportação à influência do ex-companheiro, o empresário italiano Paolo Zampolli, nos bastidores do poder em Washington.
Uma publicação do New York Times corroborou a versão da brasileira, indicando que Zampolli teria, de fato, acionado um alto funcionário da imigração com o objetivo de levá-la a um centro de detenção do ICE antes de sua liberação sob fiança. Segundo o jornal, a intenção dele seria recuperar a guarda do filho, Giovanni, de 15 anos, que é alvo de disputa judicial entre os dois.
"Policiais entraram na nossa casa às seis da manhã, me jogaram de pijama no corredor, com o rosto voltado para a parede, e pegaram nossos passaportes. Algemaram a mim e ao meu atual marido na frente do Giovanni (seu filho), que também foi levado à delegacia porque é menor e eu não tinha com quem deixá-lo", relatou Amanda durante a entrevista ao GLOBO.
Natural de Milão, Zampolli é acusado pela ex-modelo de abuso sexual e violência doméstica. Ele se mudou para Nova York em meados da década de 1990, período em que conheceu Donald Trump. A parceria entre ambos começou oficialmente em 2004, mas foi a partir das eleições presidenciais de 2016 que a relação entre eles se fortaleceu e passou a ser marcada por maior alinhamento político.
A influência do ex-marido no governo Trump
A imprensa passou a levantar dúvidas, após a defesa de Trump por políticas migratórias mais rígidas, sobre a situação do visto da esposa, Melania, quando ainda atuava como modelo nos Estados Unidos, antes de conhecer o atual presidente. Foi nesse contexto que Zampolli afirmou ter sido o responsável pela documentação da futura primeira-dama, alegando que usou sua posição como agente de modelos para viabilizar o visto de trabalho dela. Em 1996, ano em que o documento foi emitido, ele trabalhava na agência americana Metropolitan Models. No ano seguinte, criou a própria empresa, a ID Models.
Para Amanda, Zampolli representava uma persona ostentatória que se encaixava no gosto de Trump: almoços diários no restaurante Cipriani, em Nova York, festas de aniversário luxuosas com filhotes de tigre entre as atrações e um círculo social marcado por modelos, champanhe e presença constante na imprensa.
Durante os 19 anos em que viveram juntos, ela relata que o empresário a levou a festas promovidas pelo rapper e produtor americano Sean “Diddy” Combs, atualmente cumprindo pena de quatro anos por transportar mulheres para prostituição, além de eventos em iates com listas de convidados que reuniam celebridades e membros da realeza europeia. Segundo seu relato, nessas ocasiões Zampolli chegava a levar o próprio garçom consigo para garantir que ninguém adulterasse sua bebida.
O caso Epstein
Entre os nomes ligados ao círculo social de Zampolli e Trump também aparece Jeffrey Epstein, financista morto em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual. Em Nova York, a agência de modelos de Zampolli, a ID Models, recebia visitas frequentes de Epstein, e os dois chegaram a tentar comprar juntos, em 2004, a Elite Models, uma das maiores agências do mundo. O nome de Zampolli surge dezenas de vezes nos arquivos do caso Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Convocada a colaborar com as investigações, Amanda já foi convidada -- embora ainda não intimada -- a depor perante o Comitê de Supervisão do Congresso americano. Ela afirma ter encontrado Epstein em 2002, quando embarcou no “Lolita Express”, um dos aviões do financista, em um voo de Paris para Nova York, onde participaria de um casting. Na ocasião, viajava com seu agente, o francês Jean-Luc Brunel, conhecido como o “olheiro” de Epstein no Brasil. Mais tarde naquele mesmo ano, Amanda voltaria a se encontrar com Zampolli em Nova York.
“Tinham mais ou menos umas 30 meninas no avião. Achei aquilo muito estranho. Elas eram mais parecidas com estudantes do que com modelos. Bonitas e bem novinhas, mas não tinham perfil de modelo”, conta Amanda.