Quem é a ex-modelo brasileira que ameaça expor Trump e Melania sobre caso Epstein
Brasileira afirma ter vivido por duas décadas em meio a um círculo que envolve Donald Trump
A ex-modelo brasileira Amanda Ungaro, de 41 anos, voltou a ganhar repercussão nas redes sociais neste sábado, 11, após publicar no X desabafos e ameaças em resposta a um vídeo de Melania Trump. A primeira-dama dos Estados Unidos negou qualquer ligação com o criminoso sexual Jeffrey Epstein, mas Amanda afirmou que esteve “ao redor” do casal Trump por duas décadas e declarou que pretende adotar medidas legais contra Melania e “seu marido pedófilo”, o presidente norte-americano Donald Trump.
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Quem é Amanda Ungaro?
Ela chegou ao Brasil em outubro de 2025 depois de ser deportada pela polícia de imigração dos Estados Unidos, o ICE, após 23 anos vivendo no país. Em entrevista exclusiva ao GLOBO em fevereiro, ela atribuiu essa deportação à influência do ex-companheiro, o empresário italiano Paolo Zampolli, nos bastidores do poder em Washington.
Uma publicação do New York Times corroborou a versão da brasileira, indicando que Zampolli teria, de fato, acionado um alto funcionário da imigração com o objetivo de levá-la a um centro de detenção do ICE antes de sua liberação sob fiança. Segundo o jornal, a intenção dele seria recuperar a guarda do filho, Giovanni, de 15 anos, que é alvo de disputa judicial entre os dois.
Natural de Milão, Zampolli se mudou para Nova York em meados da década de 1990, período em que conheceu Donald Trump. A parceria entre ambos começou oficialmente em 2004, mas foi a partir das eleições presidenciais de 2016 que a relação entre eles se fortaleceu e passou a ser marcada por maior alinhamento político.
A influência do ex-marido no governo Trump
A imprensa passou a levantar dúvidas, após a defesa de Trump por políticas migratórias mais rígidas, sobre a situação do visto da esposa, Melania, quando ainda atuava como modelo nos Estados Unidos, antes de conhecer o atual presidente. Foi nesse contexto que Zampolli afirmou ter sido o responsável pela documentação da futura primeira-dama, alegando que usou sua posição como agente de modelos para viabilizar o visto de trabalho dela. Em 1996, ano em que o documento foi emitido, ele trabalhava na agência americana Metropolitan Models. No ano seguinte, criou a própria empresa, a ID Models.
Para Amanda, Zampolli representava uma persona ostentatória que se encaixava no gosto de Trump: almoços diários no restaurante Cipriani, em Nova York, festas de aniversário luxuosas com filhotes de tigre entre as atrações e um círculo social marcado por modelos, champanhe e presença constante na imprensa.
Durante os 19 anos em que viveram juntos, ela relata que o empresário a levou a festas promovidas pelo rapper e produtor americano Sean “Diddy” Combs, atualmente cumprindo pena de quatro anos por transportar mulheres para prostituição, além de eventos em iates com listas de convidados que reuniam celebridades e membros da realeza europeia. Segundo seu relato, nessas ocasiões Zampolli chegava a levar o próprio garçom consigo para garantir que ninguém adulterasse sua bebida.
O caso Epstein
Entre os nomes ligados ao círculo social de Zampolli e Trump também aparece Jeffrey Epstein, financista morto em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual. Em Nova York, a agência de modelos de Zampolli, a ID Models, recebia visitas frequentes de Epstein, e os dois chegaram a tentar comprar juntos, em 2004, a Elite Models, uma das maiores agências do mundo. O nome de Zampolli surge dezenas de vezes nos arquivos do caso Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Convocada a colaborar com as investigações, Amanda já foi convidada -- embora ainda não intimada -- a depor perante o Comitê de Supervisão do Congresso americano. Ela afirma ter encontrado Epstein em 2002, quando embarcou no “Lolita Express”, um dos aviões do financista, em um voo de Paris para Nova York, onde participaria de um casting. Na ocasião, viajava com seu agente, o francês Jean-Luc Brunel, conhecido como o “olheiro” de Epstein no Brasil. Mais tarde naquele mesmo ano, Amanda voltaria a se encontrar com Zampolli em Nova York.
“Tinham mais ou menos umas 30 meninas no avião. Achei aquilo muito estranho. Elas eram mais parecidas com estudantes do que com modelos. Bonitas e bem novinhas, mas não tinham perfil de modelo”, conta Amanda.