Ao menos 21 pessoas, incluindo 12 crianças, morreram no desabamento de um prédio na Cidade de Gaza nesta quarta-feira (16). A estrutura abrigava famílias deslocadas e já estava danificada por bombardeios anteriores de Israel. Sem maquinário pesado devido a bloqueios, socorristas e moradores usam as mãos para buscar dezenas de desaparecidos. A tragédia expõe a crise habitacional no enclave, onde a ONU já identificou 400 edifícios em risco de colapso, enquanto a Defesa Civil estima 2 mil.
Ao menos 21 pessoas morreram, incluindo 12 crianças, no desabamento de um edifício residencial de vários andares na região oeste da Cidade de Gaza, na madrugada desta quarta-feira (16).
Dezenas de indivíduos continuam desaparecidos sob os escombros, segundo a Defesa Civil do enclave palestino, incluindo um número incerto de menores de idade. A estrutura abrigava famílias deslocadas que viviam no local por falta de alternativas após meses de bombardeios israelenses.
O prédio caiu por volta de 1h da manhã (horário local), enquanto os moradores dormiam. Segundo o porta-voz da Defesa Civil, Mahmoud Bassal, a construção havia sofrido danos estruturais em ataques anteriores de Israel e não oferecia condições de segurança.
"Podemos ouvir as vozes dos cidadãos sob as ruínas, mas a ocupação se recusa a permitir a entrada de equipamentos pesados na Faixa de Gaza", acrescentou.
As equipes trabalham com escavadeiras e ferramentas manuais, enquanto moradores cavam nos destroços com as mãos desde o amanhecer.
O diretor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) em Gaza, Alessandro Mrakic, afirmou que as operações de socorro são "uma maratona" e que os recursos disponíveis são insuficientes. "Há muitas vozes vindas de baixo dos escombros. Estamos em uma corrida contra o tempo e fazendo todo o possível", declarou.
Segundo ele, o Pnud já identificou 400 edifícios em risco de colapso em toda a Faixa de Gaza, e esse número pode aumentar com a chegada do inverno e das chuvas. A Defesa Civil local fala em 2 mil prédios em situação "precária".
"Considerando os limites de espaço em uma área onde vivem cerca de 2 milhões de pessoas, algumas estão voltando a esses edifícios apesar da falta de padrões de segurança", disse Mrakic.
Já o grupo fundamentalista Hamas divulgou um apelo aos Estados Unidos para que convençam Israel a remover as restrições à entrada de equipamentos de socorro e maquinário pesado no enclave.