Paz duradoura ou simples respiro? Acordo preliminar entre Trump e Irã divide análises na Europa

O acordo preliminar entre os Estados Unidos e o Irã teria sido assinado eletronicamente pelo presidente americano Donald Trump, seu vice-presidente JD Vance, assim como pelo presidente do Parlamento iraniano e principal negociador, Mohammad Bagher Ghalibaf, anunciou nesta segunda-feira (15) um alto funcionário americano.

15 jun 2026 - 15h08

"O presidente queria assinar pessoalmente, porque queria demonstrar sua dedicação em encontrar uma solução favorável", afirmou esse responsável à imprensa, sob condição de anonimato.

O acordo preliminar de paz anunciado entre Estados Unidos e Irã no domingo (14) vem causando reações positivas entre a comunidade internacional. "Trata-se de um passo crucial para uma resolução pacífica do conflito", destacou em um comunicado o secretário-geral da ONU, António Guterres.

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Mais cedo nesta segunda, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, declarou esperar que o acordo entre os Estados Unidos e o Irã permita "uma paz duradoura" na região.

Às margens da cúpula do G7 em Évian, nos Alpes franceses, o presidente Emmanuel Macron reagiu: "Este acordo deve permitir a reabertura urgente e incondicional do Estreito de Ormuz, que a missão internacional estabelecida com o Reino Unido está pronta para acompanhar".

Também em Évian, Donald Trump garantiu que o Estreito de Ormuz estará "totalmente aberto" na sexta-feira. O chefe da Casa Branca, que estava ao lado de Macron, indicou ainda que o tão aguardado texto do acordo firmado com o Irã poderia ser publicado "após sexta-feira", dia previsto para a cerimônia de assinatura em Genebra.

Acordo ainda é analisado como incerto

Este acordo, porém, é visto com cautela pela imprensa francesa, que destaca seu caráter provisório e repleto de incertezas.

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Le Monde enfatizou o caráter ainda frágil e incerto do compromisso. O jornal aponta que o documento, antes previsto para ser assinado em 19 de junho na Suíça, estabelece a suspensão das hostilidades e abre uma fase decisiva de negociações de 60 dias sobre temas sensíveis, como o programa nuclear iraniano, os estoques de urânio enriquecido e o levantamento de sanções americanas. Para a publicação, o acordo é um "castelo de cartas" sujeito a colapso diante de tensões geopolíticas ainda presentes.

Para o jornal Libération, desde o anúncio do acordo, feito por Trump em seu aniversário de 80 anos, tudo parecia uma encenação do presidente em meio a eventos incomuns na Casa Branca, como uma luta de MMA. O jornal de esquerda também sugere que Trump busca reverter sua impopularidade interna e reposicionar sua imagem como "pacificador", num contexto de dificuldades econômicas e eleitorais.

Questão nuclear iraniana adiada

Le Figaro interpreta o acordo como uma possível derrota para Donald Trump. O jornal argumenta que o memorando representa, no máximo, uma "pausa tática" e não resolve os problemas estruturais, especialmente a questão nuclear iraniana, adiada para negociações futuras.

Para o jornal, o acordo pode abandonar temas importantes, como mísseis balísticos e a atuação de grupos aliados do Irã, ressaltando que os Estados Unidos teriam feito concessões significativas, enquanto o Irã ganha tempo e se fortalece politicamente, gerando preocupações para Israel, países do Golfo e Europa.

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Les Echos analisa os custos globais da guerra, especialmente devido ao bloqueio do estreito de Ormuz. O jornal destaca a forte alta do preço do petróleo, o retorno da inflação e a desaceleração do crescimento mundial, com efeitos diretos sobre o poder de compra e a popularidade de Trump.

RFI com AFP

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