O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, procurou neste domingo mobilizar eleitores para o que ele chamou de uma votação "histórica" em 12 de abril, enquanto partidários da oposição que esperam dar fim ao governo de 16 anos do líder nacionalista compareceram em massa a um comício rival.
Orbán enfrenta o que pode ser sua mais difícil candidatura à reeleição após três anos de estagnação econômica, com aumento do custo de vida e um rival pró-UE visto por muitos como uma alternativa viável.
Tanto o direitista Fidesz, de Orbán, quanto o Tisza, do concorrente de centro-direita Peter Magyar, usaram o dia nacional de 15 de março na Hungria para uma demonstração de força, conforme a campanha entra em um etapa crucial. A maioria das pesquisas coloca Tisza à frente por uma ampla margem.
Orbán apresentou a votação como uma escolha entre a guerra e a paz, acusando seus rivais de conspirar para arrastar a Hungria para a guerra que assola a vizinha Ucrânia desde a invasão russa em fevereiro de 2022, acusações que a oposição nega.
Desprezando a liderança de seu rival nas pesquisas, Orbán disse que o Fidesz deveria ter como objetivo superar sua vitória esmagadora nas eleições de 2022.
"Devemos vencer não como há quatro anos, mas melhor. Não precisamos de tantos votos quanto há quatro anos, mas mais", disse ele. "Devemos obter uma vitória histórica, porque o próximo governo terá uma responsabilidade histórica."
Orbán disse que o comício de seus partidários foi o maior do gênero, enchendo uma praça fora do Parlamento.
Os partidários da oposição lotaram uma avenida majestosa que se estende de perto do rio Danúbio até a Praça dos Heróis em um dos maiores comícios contra Orbán, expondo as profundas divisões na Hungria.
Um apoiador do Fidesz chamou Orbán de "o melhor político da Europa", enquanto alguns participantes do comício de Magyar se perguntavam se terão futuro na Hungria se Orbán fosse reeleito.
Orbán está há muito tempo em desacordo com a UE em uma série de questões, incluindo a Ucrânia. Desafiando Bruxelas, ele mantém laços cordiais com Moscou, recusa-se a enviar armas para a Ucrânia e diz que Kiev nunca poderá aderir à UE.
Embora a maioria das pesquisas tenha mostrado uma liderança do Tisza, o Fidesz aponta para pesquisas que o mostram no rumo da vitória, embora seus oponentes digam que elas foram realizadas principalmente por institutos com vínculos financeiros ou pessoais com o partido governista.
Magyar descartou a campanha de Orbán como uma "propaganda" risível, mas o Tisza foi cauteloso em relação à Ucrânia, dizendo que se opõe a qualquer adesão acelerada de Kiev à UE e que submeterá a questão a um referendo se ganhar o poder.