Paraguai cobra divisão mais justa das cotas de exportação do acordo Mercosul-UE

Exigência foi feita pelo presidente Santiago Peña durante cúpula em Luque

30 jun 2026 - 17h53
(atualizado às 18h47)

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, exigiu nesta terça-feira (30), de forma veemente, uma distribuição mais justa das cotas de exportação com isenção de tarifas previstas no acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia.

Santiago Peña durante discurso em cúpula no Paraguai
Santiago Peña durante discurso em cúpula no Paraguai
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A cobrança foi feita durante a cúpula do bloco realizada em Luque, no Paraguai, onde o país encerra sua presidência pro tempore, que será transferida ao Uruguai.

Publicidade

Ao abrir o encontro, Peña afirmou que o Paraguai ficou insatisfeito com a forma como o acordo começou a ser implementado.

Segundo o líder paraguaio, a falta de consenso entre os países do Mercosul permitiu que Argentina e Brasil absorvessem integralmente as cotas de exportação disponíveis para diversos produtos neste ano.

"Devo dizer a verdade sobre uma questão que nos preocupa. Ficamos com um gosto amargo em relação à implementação do acordo, pois percebemos que nossa unidade não foi tão forte quanto deveria ter sido", declarou.

Peña ressaltou que o Mercosul precisa garantir mecanismos que reduzam as diferenças entre seus integrantes. "Não queremos um Mercosul onde os grandes sufoquem os pequenos; um Mercosul sem justiça está longe de ser um bloco fraterno", afirmou.

Publicidade

O presidente lembrou que o Paraguai enfrenta custos logísticos mais elevados por ser um país sem acesso ao mar e defendeu o reconhecimento dessas limitações na definição das políticas do bloco.

De acordo com ele, uma das principais ferramentas para reduzir essas desigualdades é um "fundo de convergência estrutural", cuja ampliação foi defendida por Assunção.

Ao fazer um balanço da presidência paraguaia, Peña destacou o início das negociações para um acordo de livre-comércio com o Japão, os avanços nas conversas com os Emirados Árabes Unidos e o progresso das negociações com Canadá e Vietnã, além da ampliação dos acordos comerciais com a Índia.

Por fim, o líder paraguaio reiterou a condenação unânime do Mercosul a qualquer tentativa de ruptura da ordem democrática na Bolívia e manifestou solidariedade à Venezuela em razão da tragédia provocada por dois terremotos.

Publicidade
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se