Um incêndio causado por uma falha elétrica em um ar-condicionado matou 14 recém-nascidos em uma maternidade de Islamabad, no Paquistão. Familiares e testemunhas relataram desespero diante de portas trancadas, falta de equipamentos de combate às chamas e atraso no resgate. O primeiro-ministro Shehbaz Sharif classificou o episódio como irreparável e determinou uma investigação rigorosa para punir os culpados, evidenciando as recorrentes falhas nas normas de segurança do país.
Um incêndio que atingiu na quarta-feira (26) o setor de maternidade do Hospital do Instituto de Ciências Médicas do Paquistão (PIMS), um dos principais hospitais públicos de Islamabad, causou a morte de ao menos 14 recém-nascidos. Segundo as autoridades paquistanesas, as chamas foram provocadas por uma falha em um aparelho de ar-condicionado.
Segundo a administração do distrito de Islamabad, o fogo começou no terceiro andar da unidade de saúde materna e pediátrica. A emissora Geo TV informou que as chamas tiveram início por volta das 7h da manhã, na hora local (23h da noite anterior no horário de Brasília).
As vítimas eram todas bebês recém-nascidos, segundo o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e o ministro do Interior, Mohsin Naqvi, que expressaram profundo pesar pela tragédia.
"Uma tragédia envolvendo crianças é irreparável", declarou Sharif ao determinar a abertura imediata de uma investigação. Em comunicado, seu gabinete afirmou que os responsáveis devem ser identificados e submetidos às punições mais severas.
Famílias relatam desespero
"Perdi minha filha. Ela tinha apenas três dias de vida", contou à AFP Khurram Mehmood, de 40 anos. "Minha esposa estava internada nesse setor. Retiraram todos de lá. Ficamos sentados na rua esperando ajuda", disse, abalado, diante do hospital.
Segundo Jaweria, que afirma ter perdido sua bebê no incêndio, a porta da unidade de terapia intensiva neonatal estava trancada. "Não consigo acreditar. Devolvam minha filha. Quero que a justiça seja feita", declarou. "Por que os médicos deixaram os bebês lá dentro?"
Outro familiar, identificado pela Reuters apenas como Mudasir, afirmou ter perdido um filho na tragédia. Segundo ele, todas as portas da unidade, exceto uma, estavam fechadas e não havia equipamentos adequados de combate a incêndios no local.
"Havia fumaça preta muito densa e os pacientes ficaram presos", relatou à AFP Abdul Ghafoor, testemunha do incêndio. "As equipes de resgate demoraram quase duas horas para chegar."
Outra testemunha, que pediu para não ser identificada, afirmou que agentes de segurança impediam a saída das pessoas. "Foi preciso arrombar portas, e as equipes de resgate tiveram de quebrar janelas para controlar o incêndio", disse.
Autoridades apontam falha elétrica
Já Sohail Ashraf, principal autoridade administrativa de Islamabad, afirmou na rede X que o alerta de emergência foi emitido pouco antes das 7h (horário local) e que equipes de resgate e policiais chegaram imediatamente ao hospital.
A porta-voz do PIMS, Aneeza Jalil, explicou que o incêndio teve origem no sistema de ar-condicionado após uma falha elétrica.
Do lado de fora da maternidade, familiares choravam após a confirmação das mortes. Ambulâncias permaneciam concentradas diante do hospital, enquanto o setor atingido foi isolado pelas autoridades.
Shagufta Parveen segurava nos braços seu bebê de dez dias de vida, que sobreviveu ao incêndio. "As pessoas gritavam. Havia fumaça preta por toda parte. Corremos para salvar nossas vidas. Graças a Deus meu bebê está bem", contou à AFP, com as mãos cobertas de fuligem.
Incêndios frequentes no país
Devido à fragilidade das normas de segurança e construção, além da fiscalização considerada insuficiente, incêndios em grandes edifícios são frequentes no Paquistão.
Em janeiro, pelo menos 67 pessoas morreram após um incêndio em um dos centros comerciais mais movimentados de Karachi, no sul do país.
Na mesma cidade portuária, um episódio semelhante deixou 11 mortos em 2023. Dois anos antes, 16 operários morreram em uma fábrica atingida pelas chamas.
Em 2012, também em Karachi, um incêndio em uma fábrica têxtil matou ao menos 300 trabalhadores. O edifício não possuía saída de emergência.
Com Reuters e AFP