Papa receberá escultura feita com madeira de barcos migrantes em Lampedusa

Visita de Leão XIV à ilha traz forte mensagem sobre migração forçada

3 jul 2026 - 13h02
(atualizado às 13h13)

A ilha de Lampedusa, na Sicília, sul da Itália, irá presentear o papa Leão XIV com um farol de cerca de 70 centímetros feito com a madeira de barcos de migrantes, marcando a visita do pontífice neste sábado (4) a um dos principais destinos de entrada na Europa para refugiados no Mar Mediterrâneo.

Lampedusa se prepara para receber Leão XIV neste sábado
Lampedusa se prepara para receber Leão XIV neste sábado
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O prefeito Filippo Mannino irá entregar a obra, feita pelo artesão Franco Tuccio, antes da missa a ser ministrada pelo líder católico.

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A escultura de farol, que remete não apenas ao símbolo de Lampedusa, como também ao da esperança, luz e vida, será colocada sobre o altar durante a celebração eucarística, ao lado da imagem de Nossa Senhora de Porto Salvo e do Crucifixo da Catedral de Agrigento. Posteriormente, a obra será levada por Robert Prevost ao Vaticano.

Tuccio é conhecido por confeccionar cruzes a partir da madeira de barcos utilizados por migrantes em suas travessias. Tudo começou em 11 de outubro de 2013, quando ele encontrou na praia os restos do casco de um barco naufragado e decidiu recolher a madeira para fazer uma cruz. Assim nasceu a "Cruz de Lampedusa", com 2,8 metros de altura e 60 quilos, que chegou à Praça de São Pedro, em Roma, em abril de 2014.

"A visita de Leão XIV a Lampedusa, amanhã, transmite uma clara mensagem de afago àqueles homens e mulheres que encontraram o fim de sua jornada na ilha", servindo como um posicionamento contra os "retornos forçados", afirmou o arcebispo da Diocese de Agrigento, Alessandro Damiano, reforçando ainda que a vinda do pontífice ao local também reforça que "toda vida no mar deve ser salva".

A viagem do Papa a Lampedusa neste sábado será marcada também por diversos "sinais" litúrgicos, a começar pela "catedral a céu aberto" em que se transformará o estádio Arena, local ele celebrará a missa.

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"Um templo ideal, sem paredes, capaz de acolher simbolicamente toda a humanidade", definiu a Diocese de Agrigento, em nota, sobre o espaço.

Assim como ocorreu durante a visita do papa Francisco em 2013, a imagem de Nossa Senhora de Porto Salvo, venerada desde o século 15 como a padroeira dos navegantes, será colocada ao lado do altar. A escultura do século 17 do Crucifixo da Catedral também irá compor o ambiente, ressaltando o profundo vínculo com a igreja-mãe da Arquidiocese.

Por fim, o altar e o ambão são fruto do trabalho artístico de Igor Scalisi Palminteri, artista radicado em Palermo que há muito explora a relação entre o sagrado, a memória coletiva e o espaço público. O projeto incorpora as diretrizes da Arquidiocese de Agrigento ao entrelaçar três temas centrais: o mar, o sangue e a migração sob a ótica da redenção e da profecia bíblica.

O artista optou por evitar representações narrativas ou fotográficas diretas do sofrimento, privilegiando, em vez disso, uma linguagem minimalista e simbólica. Superfícies abstratas e formas fluidas evocam o mar e a jornada, bem como a fragilidade e a esperança. As linhas que percorrem as obras remetem ao movimento das ondas, transformando o Mediterrâneo em um espaço de passagem, mas também de memória e renascimento.

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