Uma fonte ligada ao Vaticano definiu o papa Leão XIV, o primeiro pontífice da história nascido nos Estados Unidos, como um "opositor natural" do governo de Donald Trump.
A declaração foi dada à AFP, em condição de anonimato, em uma reportagem que busca esclarecer a ausência de posicionamento do pontífice frente às mais recentes ações de Washington, que ameaça anexar a Groenlândia, assim como realizar uma intervenção militar no Irã, ao mesmo tempo que os agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) cometem abusos e assassinatos de civis no país.
"Leão XIV é muito cauteloso. Ele sabe que sua voz é universal. Como americano, ele é, de certa forma, um opositor natural do trumpismo", disse a fonte vaticanista.
Ainda de acordo com a declaração, o Papa "tem pisado em ovos" nos assuntos relacionados aos EUA.
"Ele entende que a Igreja americana também é alvo do ICE, as pessoas estão com medo", acrescentou o funcionário do Vaticano, explicando que o atual líder do Catolicismo trabalha em um contexto "hiperpolarizado, onde a Igreja [Católica] também é alvo [de pressão] por meio das populações que ajuda, como imigrantes ou a comunidade hispânica".
Desde que foi eleito para comandar a Santa Sé, em maio, Robert Prevost, tem se posicionado de forma contrária a algumas decisões do atual governo americano. Ele denunciou o tratamento "desumano" dado aos migrantes, pediu diálogo na Venezuela e lamentou uma "diplomacia da força", sem ir muito além disso.
No domingo (1º), Leão XIV voltou a quebrar o silêncio sobre Trump ao expressar "grande preocupação" com o aumento das tensões entre Cuba e EUA, apelando a todas as partes para que "evitem a violência".
Apesar da crescente preocupação do Vaticano com as medidas de Washington, o Papa prefere confiar na hierarquia católica americana em vez de se envolver pessoalmente na disputa, opinou outra fonte.
"Acho que ele [Prevost] acredita que a primeira resposta deve vir dos próprios bispos do país [EUA]", comentou Christopher White, da Universidade de Georgetown, em Washington, e autor do livro "Papa Leão XIV: Por Dentro do Conclave e o Alvorecer de um Novo Papado".
Na semana passada, o arcebispo Paul Coakley, presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, reagiu ao assassinato de Renee Good e Alex Pretti em Minneapolis, denunciando "as falhas de nossa sociedade em respeitar a dignidade de toda vida humana".
Já o bispo Anthony Taylor, do Arkansas, apontou "paralelos óbvios" entre os EUA de hoje e a Alemanha nazista, embora tenha afirmado que "Trump não é Hitler".