O presidente do irã, Masoud Pezeshkian, declarou nesta terça-feira (3) que o país está disposto a avaliar a abertura de negociações com os Estados Unidos, desde que o diálogo ocorra em um ambiente livre de ameaças e respeite os interesses nacionais iranianos.
Em declaração publicada nas redes sociais, Pezeshkian informou ter instruído o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, a analisar a possibilidade de conversas com Washington.
Segundo o presidente iraniano, eventuais negociações deverão ser "justas e imparciais, guiadas pelos princípios da dignidade, prudência e conveniência, desde que haja um ambiente apropriado, livre de ameaças e expectativas irrazoáveis".
"Tais negociações serão conduzidas no âmbito de nossos interesses nacionais", acrescentou.
A pressão sobre Teerã aumentou desde o início de janeiro, após a repressão violenta aos protestos que abalaram o país. As manifestações começaram motivadas pelo aumento do custo de vida, mas evoluíram para um movimento mais amplo de contestação ao regime teocrático que governa o Irã desde a Revolução de 1979.
Contudo, Trump alertou ontem que, caso o Irã não chegue a um acordo com Washington, "coisas ruins" poderão acontecer.
Enquanto isso, o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, chegou a Israel para reuniões com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o chefe do Estado-Maior do Exército, Eyal Zamir, e o diretor do Mossad, David Barnea, no âmbito das negociações entre Washington e Teerã.
De acordo com fontes citadas pela mídia local, Israel exige que um eventual acordo inclua a suspensão do enriquecimento de urânio, a remoção do material já enriquecido do território iraniano, limites ao programa de mísseis balísticos e o fim do apoio iraniano a grupos como Hezbollah, Houthis, Hamas e Jihad Islâmica.
Caso essas condições não sejam atendidas, Israel poderia apoiar uma ação militar contra o Irã.
Paralelamente, esforços diplomáticos seguem em curso. O Catar afirmou que trabalha "de forma muito intensa" para apoiar o diálogo entre Irã e Estados Unidos, em coordenação com países como Turquia, Egito, Omã e Arábia Saudita, na tentativa de reduzir tensões e abrir caminho para negociações formais.
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