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Papa chega à Grécia e alerta sobre 'retrocesso da democracia'

Francisco fez discurso contra populismo e autoritarismo

4 dez 2021 09h48
| atualizado às 10h27
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Na última etapa da 35ª Viagem Apostólica de seu Pontificado, o papa Francisco chegou à Grécia na manhã deste sábado (4) e alertou que a Europa e o resto do mundo vivem "um retrocesso da democracia", sobretudo devido ao populismo e "à distância das instituições" que procuram explorar o descontentamento das populações.

O avião do Pontífice, vindo do Chipre, pousou no Aeroporto Internacional de Atenas, onde ele foi recebido pelo chanceler Nikos Dendias. Após as boas-vindas oficiais, Francisco se reuniu com a presidente da Grécia, Katerina Sakellaropoulou, o então primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis.

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"Não se pode deixar de constatar, com preocupação, que hoje - e não só no continente europeu - se verifica um retrocesso da democracia. Esta exige a participação e o envolvimento de todos e, consequentemente, requer cansaço e paciência", indicou o Santo Padre, em seu primeiro discurso perante políticos, representantes da sociedade civil e do corpo diplomático.

Francisco alertou que a crise democrática leva ao ressurgimento do autoritarismo e dos populismos, ressaltando que o autoritarismo e as promessas fáceis propostas pelos populistas são atraentes.

"Em várias sociedades, preocupadas com a segurança e anestesiadas pelo consumismo, o cansaço e o descontentamento levam a uma espécie de ceticismo democrático", apontou.

Para o papa, esse ceticismo em relação à democracia "é causado pelo distanciamento das instituições, pelo medo da perda da identidade e pela burocracia".

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Segundo o religioso, o remédio é a "boa política". Além disso, para que o "bem seja verdadeiramente partilhado, é necessário dar atenção prioritária aos grupos mais fracos", uma espécie de "antídoto para as polarizações que animam a democracia mas correm o risco de a exasperar".

"É necessária uma mudança de ritmo nesse sentido, enquanto, amplificados pela comunicação virtual, os medos se espalham a cada dia e se elaboram teorias para se contrapor aos demais", alertou.

Por esta razão, ele apelou "a passar do partidarismo para a participação; de um mero compromisso de apoiar a própria facção para estar ativamente envolvido na promoção de todos".

Diante de desafios "como a defesa do clima, da pandemia de Covid-19, do mercado comum e da pobreza generalizada", Jorge Bergoglio insistiu na necessidade de defender o multilateralismo das "excessivas pretensões nacionalistas" e "colocar as demandas comuns antes dos interesses privados".

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"Que às seduções do autoritarismo se responda com a democracia; que à indiferença individualista se oponha a solicitude pelo outro, pelo pobre e pela criação, colunas essenciais para um humanismo renovado, de que precisam os nossos tempos e a nossa Europa", apelou.

De acordo com o Papa, a "Comunidade Europeia, dilacerada pelo egoísmo nacionalista, em vez de ser o motor da solidariedade, parece por vezes bloqueada e descoordenada".

"Se antes contrastes ideológicos impediam a construção de pontes entre o leste e o oeste do continente, hoje a questão da migração também abriu brechas entre o sul e o norte", explicou.

Por fim, o argentino saudou Atenas como uma "cidade gloriosa", local "de espiritualidade, cultura e civilização", com particular ligação ao Cristianismo, recordando que os Evangelhos foram escritos em grego, "língua imortal".

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"Sem Atenas e sem a Grécia, a Europa e o mundo não seriam o que são; seriam menos sapientes e menos felizes", declarou. 

  
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