Oposição na Itália homenageia imigrantes que foram queimados vivos e faz apelo

Crime deixou 4 trabalhadores rurais mortos e provocou consternação no país

6 jun 2026 - 14h53
(atualizado às 15h54)

A oposição italiana prestou homenagem neste sábado (6) aos quatro imigrantes queimados vivos em Amendolara, na Calábria, e aproveitou a mobilização para exigir o endurecimento da legislação contra o aliciamento de mão de obra, defendendo punições mais rigorosas para empresas que se beneficiam da exploração de trabalhadores.

Durante manifestação organizada pela Confederação-Geral Italiana do Trabalho (CGIL), lideranças políticas e sindicais cobraram punições mais severas para empregadores envolvidos em esquemas de exploração e maior proteção às vítimas que denunciam abusos.

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O secretário-geral da CGIL, Maurizio Landini, e o secretário-geral da FLAI, Giovanni Mininni, depositaram coroas de flores no posto de serviço de Amendolara, no quilômetro 395 da rodovia estadual Jonica, local onde os quatro trabalhadores rurais foram assassinados na última segunda-feira (1º).

A homenagem antecedeu a manifestação organizada em memória das vítimas e em defesa dos direitos dos trabalhadores. Entre os participantes estava a secretária do Partido Democrático (PD), Elly Schlein.

Durante o ato, Schlein defendeu o fortalecimento da legislação italiana contra o aliciamento de mão de obra e a exploração de trabalhadores.

Segundo ela, é necessário ampliar os instrumentos de combate ao fenômeno, incluindo a possibilidade de apreensão preventiva de empresas que empreguem trabalhadores explorados.

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"A lei contra o aliciamento de trabalhadores deve ser reforçada não só através da alocação de mais recursos e da garantia da sua plena implementação, mas também prevendo a apreensão preventiva de empresas que empregam trabalhadores explorados e vítimas de aliciamento", afirmou ela.

Schlein classificou o assassinato dos quatro trabalhadores como um episódio de extrema gravidade. "O assassinato brutal de quatro trabalhadores, com uma violência sem precedentes, é inaceitável. Não podemos mais falar apenas sobre aliciamento de mão de obra; precisamos falar também sobre os empregadores", declarou.

A dirigente ressaltou que as investigações em andamento deverão esclarecer todas as responsabilidades relacionadas ao caso. Para ela, além das duas pessoas já presas, é fundamental apurar possíveis envolvimentos de outros agentes e avaliar a eventual responsabilidade de empresas que se beneficiam da exploração de trabalhadores.

A secretária do Partido Democrático também destacou que o aliciamento de mão de obra e a exploração laboral constituem um problema estrutural no país. "Trata-se de um flagelo estrutural, não de um fenômeno isolado. Temos repetido isso após cada tragédia, incluindo a morte de Satnam Singh", afirmou.

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Por fim, Schlein defendeu o fortalecimento das medidas de proteção às vítimas que denunciam situações de exploração. Entre as propostas apresentadas estão a criação de canais claros de acesso à proteção, soluções habitacionais, programas de formação profissional e assistência jurídica, médica e psicológica.

"Precisamos tornar a denúncia da exploração acessível e segura", concluiu.

De acordo com investigações preliminares, os quatro imigrantes queimados vivos dentro de um carro em Amendolara, no sul da Itália, teriam sido assassinados por se recusarem a dividir um quarto entre dez pessoas.

A desavença teria começado na manhã de segunda-feira (1º), data do homicídio, quando uma das vítimas teria discutido com um dos supostos assassinos, o paquistanês Ahmed Safeer, ferindo-o no rosto. Já o outro acusado, conterrâneo de Safeer, Ali Raza, teria chamado a polícia para separar a briga.

O episódio foi relatado às autoridades por um conhecido de Raza.

Os corpos das vítimas, das quais três eram naturais do Afeganistão e uma do Paquistão, foram descobertos pelos bombeiros em um veículo estacionado em um posto de gasolina.

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Após conter o incêndio no carro, os agentes se surpreenderam com as quatro pessoas carbonizadas que estavam ali.

Imagens das câmeras de vigilância do posto de gasolina mostram dois indivíduos bloqueando as portas do automóvel pelo lado de fora com os braços, enquanto um líquido inflamável é jogado dentro veículo pela porta traseira. Assim que as chamas aparecem, os dois criminosos fogem.

Os dois homens seriam Safeer e Raza, investigados por homicídio qualificado. Um afegão de 35 anos, identificado como Mohammad Taj Alamyar, conseguiu escapar das chamas ao quebrar o vidro do carro.

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