O secretário americano fez uma alusão a uma suposta ameaça que a imigração representaria à "civilização ocidental", ao associar o desembarque das tropas americanas, britânicas e canadenses a "ideologias perigosas" que chegam por travessias marítimas.
"Infelizmente, diferentes praias europeias estão sendo invadidas hoje por diversas ideologias perigosas: nas praias da Espanha, da Itália, da Grécia e da Bulgária, barcos e homens desembarcam", afirmou, diante das 9.387 cruzes brancas do cemitério de soldados americanos mortos durante a Batalha da Normandia, na praia de Omaha. Ele também pediu que os países europeus aumentem suas capacidades de defesa.
"As capitais europeias agirão contra essa invasão ou já é tarde demais?", questionou Hegseth. "Os homens enterrados aqui lutaram em uma aliança, e cada parceiro contribuiu com sua indústria, sua coragem e seu sacrifício", declarou. "Sem slogans vazios, sem cúpulas luxuosas nem comunicados", ironizou. "Cada nação aliada sangrou, fez sua parte" em 1944.
"A América deve dar o exemplo, e o faremos, mas nossos aliados devem estar conosco", pediu Hegseth. Ele também afirmou que "a paz só é garantida pela força" e evitou qualquer menção explícita, em seu discurso ao lado da ministra francesa das Forças Armadas, Catherine Vautrin, aos conflitos no Irã ou na Ucrânia.
'Grande povo amigo'
Durante a cerimônia internacional realizada na tarde de sábado, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu homenageou os "3.000 homens de pouco mais de 20 anos" mortos no Dia D, que ofereceram "o fôlego de sua juventude e o sacrifício de suas vidas".
O premiê exaltou a "resiliência" do Reino Unido durante o conflito e o "povo americano, esse grande povo amigo da liberdade". Em alusão às tensões recentes com os Estados Unidos, ele pediu que a Europa enfrente o "desafio de nossa geração": "nossa autonomia e nossa capacidade de nos defender por nós mesmos", diante de ameaças que "se aproximam, se intensificam e se multiplicam".
Lecornu havia participado de uma cerimônia militar em Ouistreham, em Calvados, no local do desembarque dos 177 franceses do comando Kieffer. Durante a cerimônia internacional, o adido de defesa da embaixada da Alemanha na França, Markus Reinhardt, chamou o 6 de junho de "dia de gratidão" aos soldados aliados "de diferentes línguas e origens", que permitiram ao continente europeu recuperar sua liberdade.
O general também destacou a "cooperação", da qual podem surgir "parcerias" para preservar uma paz que "permanece frágil". O desembarque militar realizado na Normandia em 6 de junho de 1944 foi a maior operação anfíbia da história.
Uma armada de 6.939 navios e 132.700 homens — britânicos, canadenses, americanos, belgas, noruegueses e poloneses — atacou 80 km de praias francesas. A operação contribuiu de forma decisiva para a derrota da Alemanha nazista, pressionada também pelo avanço da União Soviética a leste.
Com agências