ONU alerta que colonos israelenses podem ser incluídos em lista por violações contra crianças

17 jun 2026 - 21h11

O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou nesta ‌quarta-feira, ao manifestar preocupação com um aumento "impressionante" nas violações contra crianças palestinas, que grupos de colonos israelenses poderiam ser incluídos em uma lista global por violações contra menores.

O relatório anual do órgão mundial sobre Crianças e Conflitos Armados (CAAC, na sigla em inglês) registrou 38.558 "violações graves" em todo o mundo em 2025, afetando 24.174 crianças -- este último número, um ⁠recorde desde o início do mandato do CAAC, em 1996.

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Os dados mostraram que 14.224 crianças ‌foram mortas ou mutiladas, com um aumento de 34% em relação a 2024, totalizando 6.266 mortes. Segundo o relatório, as Nações Unidas verificaram o assassinato de 2.668 crianças palestinas ‌em Gaza e 57 na Cisjordânia.

A guerra em Gaza ‌teve início em 7 de outubro de 2023, quando combatentes liderados pelo Hamas ⁠atacaram o sul de Israel, matando cerca de 1.200 pessoas, segundo dados israelenses. Israel respondeu com uma campanha militar em grande escala que, desde então, já matou dezenas de milhares de palestinos.

"Os países com os maiores índices de violações em 2025 foram o Território Palestino Ocupado e Israel, a República Democrática do Congo, a Nigéria, Mianmar e a Somália", ‌afirmou uma autoridade de alto escalão da ONU em uma coletiva sobre o relatório.

Israel já ‌figurava nos anexos da chamada "lista ⁠da vergonha" do relatório ⁠por supostas violações, mas a versão mais recente destaca, pela primeira vez, os colonos como um ⁠possível alvo para inclusão na lista.

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"Estou chocado com ‌a magnitude das graves violações ‌contra crianças no Território Palestino Ocupado e em Israel, notadamente pelo uso generalizado de armas explosivas em áreas populosas", afirmou Guterres no relatório.

"Estou profundamente alarmado com o aumento impressionante de ataques perpetrados por colonos israelenses, resultando em graves violações contra crianças ⁠palestinas", acrescentou Guterres.

Ele afirmou que grupos de colonos israelenses devem ser incluídos na lista caso o elevado número de violações se repita em 2026.

O relatório indicou que 9.465 violações graves foram atribuídas às forças israelenses e 326 aos colonos israelenses.

O relatório define violações graves como o assassinato e a mutilação de ‌crianças, estupro e outras formas de violência sexual, além de ataques a escolas e hospitais.

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A missão de Israel na ONU não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

HAMAS PERMANECE ⁠NA LISTA 

O relatório continua a incluir na lista o braço armado do Hamas e facções afiliadas por matar e mutilar crianças e por sequestros, e atribui 2.806 violações a grupos armados palestinos.

O novo relatório surge semanas após Guterres enfurecer Israel ao incluí-lo em uma lista separada da ONU de países e grupos suspeitos de cometer violência sexual em zonas de conflito, medida que levou o Ministério das Relações Exteriores de Israel a declarar que cortaria todos os laços com ele.

Guterres disse estar alarmado com o elevado número de crianças detidas por Israel e com relatos de violência física grave e más condições durante a detenção, afirmando que isso "pode constituir tratamento ou punição desumana ou degradante".

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Ser incluído na lista não acarreta sanções automáticas, mas causa danos à reputação e exige a negociação de planos de ação.

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