Nuclear bloqueia acordo de paz com Irã que pode ser assinado hoje; Ormuz seria reaberto em 1 mês

Estados Unidos e Irã avançaram nas negociações para um acordo destinado a encerrar o conflito e reabrir o estreito de Ormuz

24 mai 2026 - 07h30
(atualizado às 08h38)
Embarcações navegam pelo Estreito de Ormuz, em Musandam, Omã, em 20 de maio de 2026.
Embarcações navegam pelo Estreito de Ormuz, em Musandam, Omã, em 20 de maio de 2026.
Foto: REUTERS - Stringer / RFI

Os Estados Unidos e o Irã negociam um protocolo de entendimento que pode levar ao encerramento das hostilidades e à retomada da navegação no estreito de Ormuz, um dos principais corredores energéticos do planeta. O avanço foi sinalizado por declarações públicas de autoridades norte-americanas e iranianas, ainda que persistam divergências relevantes, sobretudo no que diz respeito ao programa nuclear iraniano, mantido fora do escopo imediato do acordo em discussão.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que "novas informações" sobre a situação no Irã podem ser divulgadas neste domingo, acrescentando que há possibilidade de notícias positivas relacionadas ao estreito de Ormuz nas próximas horas. Ao mesmo tempo, reafirmou a linha tradicional de Washington: Teerã não pode, em hipótese alguma, obter uma arma nuclear.

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Do lado iraniano, autoridades e veículos ligados ao governo têm sustentado que a questão nuclear não integra o protocolo atualmente em negociação. Segundo a agência iraniana Tasnim, próxima à Guarda Revolucionária, o entendimento em fase final não prevê, até agora, qualquer concessão por parte do Irã sobre seu programa atômico, o que reforça a natureza limitada do acordo preliminar.

Ainda conforme a Tasnim, o documento negociado estabelece a suspensão das hostilidades "em todas as frentes" e inclui um compromisso dos Estados Unidos de flexibilizar as sanções sobre o petróleo iraniano durante o período de negociações. Esse ponto é considerado central para Teerã, cuja economia tem sido fortemente pressionada pelas restrições comerciais impostas por Washington.

A agência acrescenta que, apesar do avanço diplomático, o Irã não aceitou "a menor medida" relativa à limitação de seu programa nuclear. O texto preveria prazos distintos: 30 dias para medidas relacionadas ao estreito de Ormuz e 60 dias para negociações específicas sobre a questão nuclear.

Também está em discussão a normalização gradual do tráfego marítimo na região. O estreito de Ormuz, por onde circula uma parcela significativa do petróleo consumido no mundo, encontra-se de fato bloqueado desde o início do conflito, afetando cadeias de abastecimento e pressionando preços internacionais.

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Proposta estabelece etapas e prazos para reabertura e negociação nuclear

De acordo com os termos relatados pela Tasnim, o número de navios autorizados a cruzar o estreito deve retornar ao patamar anterior à guerra dentro de um prazo de 30 dias. A retomada completa da circulação é vista como indicador-chave da eficácia inicial do acordo e como condição para a estabilização dos mercados de energia.

Outro ponto previsto é o fim do bloqueio naval imposto pela Marinha dos Estados Unidos a portos iranianos. A medida também teria prazo de até 30 dias para implementação completa, representando uma mudança sensível no posicionamento militar norte-americano na região.

Além disso, o acordo contempla o desbloqueio de parte dos ativos financeiros iranianos congelados no exterior. Essa liberação ocorreria já na primeira fase do processo e funcionaria como espécie de incentivo econômico para o avanço das negociações.

Apesar dessas indicações, há divergências públicas sobre o conteúdo e o alcance do acordo. O presidente norte-americano, Donald Trump, declarou no sábado que um protocolo para encerrar o conflito no Irã estava "essencialmente negociado" e que incluiria a reabertura do estreito de Ormuz.

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Trump afirmou, em sua rede Truth Social, que os "últimos detalhes" estavam sendo discutidos e que o anúncio formal ocorreria em breve. Ele não detalhou os termos completos do entendimento, o que contribuiu para incertezas sobre seu conteúdo real.

A interpretação apresentada por fontes iranianas, no entanto, diverge em pontos importantes. A agência Fars informou no domingo que o eventual acordo manteria sob controle iraniano a gestão do estreito de Ormuz e classificou as declarações de Trump como "em desacordo com a realidade".

Divergências revelam disputa de narrativas entre Washington e Teerã

Segundo fontes ouvidas pela Reuters, o plano em negociação seria estruturado em três fases. A primeira envolveria o encerramento formal do conflito; a segunda, a resolução da crise no estreito de Ormuz; e a terceira, a abertura de um período de 30 dias para discussões mais amplas, possivelmente prorrogáveis.

Esse cronograma indicaria uma estratégia gradual, na qual medidas de segurança e econômicas precedem um debate mais complexo sobre o programa nuclear iraniano. A separação dos temas reflete a dificuldade histórica de alcançar consenso nessa área sensível.

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Uma fonte iraniana de alto escalão afirmou à Reuters que o país não aceitou transferir seus estoques de urânio altamente enriquecido para fora do território nacional. Segundo ela, esse tema será tratado apenas em eventuais negociações de longo prazo e não integra o acordo preliminar.

"A questão nuclear será abordada durante negociações para um acordo definitivo e, portanto, não faz parte do entendimento atual. Nenhum acordo foi alcançado sobre a exportação dos estoques de urânio altamente enriquecido do Irã", disse a fonte.

A posição europeia tem sido de apoio cauteloso ao avanço diplomático. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que vê com satisfação os sinais de progresso nas negociações entre Washington e Teerã.

Em mensagem publicada na rede X, ela declarou: "Precisamos de um acordo que realmente permita reduzir o conflito, reabrir o estreito de Ormuz e garantir uma navegação livre e sem entraves. Não se deve permitir que o Irã se torne uma potência nuclear."

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Com AFP

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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