Nova eleição palestina abre espaço para jovens e mulheres sob ceticismo israelense

É possível que os palestinos elejam um novo presidente no início do ano que vem. O cronograma eleitoral anunciado por Mahmoud Abbas surge em meio a sinais de reconfiguração política nos territórios palestinos, com o Hamas prometendo deixar a administração de Gaza e uma reforma eleitoral que amplia o espaço para jovens e mulheres.

10 jul 2026 - 09h22

Henry Galsky, correspondente da RFI em Israel

Palestinos inspecionam o local de um ataque israelense contra um veículo na Cidade de Gaza, em 9 de julho de 2026.
Palestinos inspecionam o local de um ataque israelense contra um veículo na Cidade de Gaza, em 9 de julho de 2026.
Foto: REUTERS - Ebrahim Hajjaj / RFI

Se a votação popular para o parlamento palestino de fato acontecer, ela será a primeira desde janeiro de 2006. Após mais de 20 anos, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, emitiu um decreto presidencial definindo o dia 28 de novembro deste ano como a data para as eleições legislativas. 

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As eleições presidenciais ainda não têm data marcada, mas devem ocorrer no primeiro trimestre de 2027. 

Abbas chegou a iniciar um processo que deveria resultar em eleições em 2021, mas decidiu cancelar o pleito sob o argumento de que Israel estaria impedindo a participação de toda a população palestina, da Faixa de Gaza, da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental. 

Os palestinos reivindicam Jerusalém Oriental e a Cidade Velha, conquistadas por Israel da Jordânia durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, como capital de seu futuro Estado. 

Contexto 

Na época, a própria comissão eleitoral palestina observou que a grande maioria dos palestinos que vivem em Jerusalém Oriental, cerca de 150 mil eleitores, compareceria às urnas na Cisjordânia no dia da eleição.

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Ao mesmo tempo, ainda durante a aquele período controverso, Israel nunca chegou a informar se permitiria que a votação ocorresse em Jerusalém, mas prendeu candidatos do Fatah quando eles tentaram realizar eventos eleitorais na cidade. 

Um dos cenários naquele momento envolvia a baixa popularidade justamente do Fatah, movimento liderado por Mahmoud Abbas. Havia um risco de derrota interna do presidente palestino para nomes mais populares, em especial entre a população jovem, como Marwan Barghouti e Mohammed Dahlan. Mas Abbas estava ameaçado também pelo Hamas, que poderia conquistar poder na Cisjordânia, território sob controle parcial da Autoridade Palestina (AP). 

Novas regras eleitorais

O decreto anunciado nesta quinta-feira pelo presidente palestino convoca todos os cidadãos elegíveis que vivem na Cisjordânia, na Faixa de Gaza e em Jerusalém Oriental a participarem de eleições livres e diretas para escolher os membros do Conselho Legislativo Palestino (CLP). 

Houve mudanças no número de vagas para os parlamentares; o número de cadeiras aumentou das atuais 132 para 200. 

A idade mínima para candidatura foi reduzida de 28 para 23 anos de forma a promover a participação dos jovens. A chamada cláusula de barreira, percentual mínimo para eleição, será reduzida para 1%, e uma cota obrigatória garante pelo menos uma mulher para cada três candidatos em uma lista eleitoral. 

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Hamas anuncia que deixará o governo em Gaza

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa'ar, afirmou que a oferta do Hamas de entregar o controle da Faixa de Gaza a um comitê tecnocrático é uma tentativa de evitar o desarmamento.

Segundo ele, o Hamas busca replicar o "modelo do Hezbollah", com um governo civil administrando os assuntos cotidianos enquanto o grupo palestino se mantém como a força armada dominante.

Israel insiste que qualquer acordo pós-guerra deve incluir o desarmamento do Hamas e de todos os outros grupos terroristas, bem como a completa desmilitarização da Faixa de Gaza.

Fontes israelenses citadas pela imprensa local disseram que a declaração do Hamas não representa uma mudança significativa das condições necessárias para uma transição pós-guerra.

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Uma fonte diplomática ligada ao chamado Conselho da Paz criado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a decisão do Hamas "não significa nada" e argumentou que o grupo tenta preservar o poder militar enquanto transfere o ônus de governar a Faixa de Gaza.

A fonte acusou o Hamas de tentar manter a influência política e o controle financeiro enquanto "se livra da responsabilidade pela infraestrutura civil em colapso de Gaza".

"O comitê tecnocrático pode entrar, assumir a economia falida, nossos serviços precários e todos os nossos problemas, enquanto nós mantemos nossas armas e o poder", disse.

Segundo as fontes, o Hamas também rejeitou determinações do chamado Conselho da Paz, incluindo a permissão de acesso a armas escondidas em túneis subterrâneos, como parte de um processo gradual de desmilitarização. O grupo extremista também se negou a aceitar a transferência de todas as armas em Gaza para a autoridade do governo tecnocrático.

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