O colapso de uma geleira no Himalaia causou inundações e deslizamentos devastadores na fronteira entre Nepal e China, deixando mais de 1.060 mortos e cerca de 4,5 mil desaparecidos. A tragédia varreu assentamentos inteiros, destruiu estradas e soterrou centenas de trabalhadores e turistas estrangeiros. Enquanto equipes de socorro enfrentam dificuldades de acesso para tentar localizar sobreviventes, a maioria dos corpos resgatados segue sem identificação pelas autoridades.
Passou de mil o número de mortos nas inundações repentinas e nos deslizamentos que atingiram a fronteira entre Nepal e China na última quarta-feira (26), enquanto quase 4,5 mil pessoas seguem desaparecidas.
De acordo com o balanço divulgado pela Agência Nacional de Gestão e Redução de Riscos de Desastres nepalesa (NDRRMA) na manhã desta terça (1º), pelo menos 1.050 corpos já foram recuperados pelos socorristas no país, enquanto 16 óbitos foram registrados no Tibete chinês, totalizando 1.066 vítimas confirmadas.
Além disso, 3.916 pessoas estão desaparecidas no Nepal, e 546, na China, o que significa um total de 4.462. Porém o Ministério da Saúde nepalês afirmou que apenas 4% dos corpos foram identificados até o momento.
Dos cerca de 3,9 mil indivíduos desaparecidos no Nepal, 639 são trabalhadores que ficaram presos em túneis de hidrelétricas ao longo do rio Trishuli, um dos atingidos pelas cheias repentinas.
A tragédia foi provocada pelo colapso de uma geleira no Himalaia, cordilheira que abriga os picos mais altos do planeta.
Enormes blocos de gelo se desprenderam e arrastaram uma massa de detritos, incluindo rochas, árvores, sedimentos e a água de lagos represados nas montanhas, varrendo do mapa assentamentos inteiros.
Em Katmandu, capital do Nepal, multidões têm feito filas em busca de notícias por seus entes queridos do lado de fora de hospitais. Embaixadas estrangeiras também têm se movimentado para localizar os 583 turistas internacionais que estão entre os desaparecidos.
No Tibete, onde o acesso de jornalistas estrangeiros é restrito, socorristas, funcionários locais e moradores participaram de uma cerimônia em homenagem às vítimas no condado de Gyirong, palco das imagens impressionantes que mostram a avalanche de lama encobrindo e destruindo construções em um movimentado posto de fronteira.
A emissora estatal CCTV exibiu os participantes curvando a cabeça durante um minuto de silêncio ao lado de escavadeiras e de um rio caudaloso e lamacento. Segundo a agência de notícias oficial Xinhua, trabalhadores atuam sem descanso para reabrir uma estrada danificada pelo deslizamento, o que permitirá o envio mais rápido de suprimentos e equipes para o posto de fronteira de Gyirong. .