A Índia registrou o mês de agosto mais quente em mais de um século, com temperaturas 0,67°C acima da média histórica. O recorde foi impulsionado pela redução de 16% nas chuvas de monção e pela atuação do El Niño, que intensificou o tempo seco na região. O fenômeno agrava a frequência e a severidade das ondas de calor extremo no país mais populoso do mundo, elevando os riscos à saúde pública em meio ao avanço do aquecimento global.
O dado representa um aumento de 0,67°C em relação à média histórica para o mês. Com isso, o país superou o recorde anterior de agosto, de 28°C, registrado em 2023.
Maior país do mundo em população, a Índia é especialmente vulnerável aos efeitos das ondas de calor extremas, que têm se tornado mais frequentes e intensas nos últimos anos.
Diminuição das chuvas
De acordo com a agência meteorológica, as chuvas de monção ficaram 16% abaixo da média em agosto, contribuindo para o aumento das temperaturas. Entre os fatores apontados está o fenômeno climático El Niño.
Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico, o El Niño altera os padrões climáticos em diversas regiões do planeta e pode provocar secas e inundações. Na Índia e em grande parte do Sudeste Asiático, o fenômeno costuma estar associado a condições mais secas do que o normal.
Especialistas alertam que o El Niño pode intensificar ainda mais os efeitos do aquecimento global causado pela queima de combustíveis fósseis, ampliando a ocorrência de eventos climáticos extremos.
As mudanças climáticas vêm aumentando a frequência, a duração e a intensidade das ondas de calor em várias regiões do país. Nos últimos anos, algumas áreas da Índia registraram temperaturas consideradas perigosas para a saúde da população.
Com AFP