Na ONU, Macron critica operações em Gaza e na Cisjordânia; Israel denuncia 'absurdo grotesco'

A exemplo de dirigentes do mundo inteiro, o presidente francês, Emmanuel Macron, discursou na terça-feira (22), no primeiro dia da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Líder de uma iniciativa em prol do reconhecimento do Estado Palestino no ano passado, ele criticou operações militares israelenses na Cisjordânia e em Gaza, irritando o governo de Benjamin Netanyahu.

23 set 2026 - 06h22
Resumo
Na Assembleia Geral da ONU, Emmanuel Macron criticou as operações militares de Israel em Gaza e na Cisjordânia, defendeu a solução de dois Estados e exaltou a importância do multilateralismo. Em resposta, o governo israelense classificou as falas do presidente francês como um "absurdo grotesco", reiterando a existência de ataques do Hamas na região. A declaração de Macron também foi criticada pelos Estados Unidos, que a consideraram desconectada da realidade.

Em sua fala, Macron destacou as violências israelenses nos territórios palestinos, evocando a passividade dos líderes sobre a questão. "Qual é a nossa credibilidade se continuarmos inertes diante de Gaza?", declarou o presidente francês, lamentando um "espetáculo que envergonha a todos". 

O presidente francês, Emmanuel Macron, durante discurso na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, em 22 de setembro de 2026.
O presidente francês, Emmanuel Macron, durante discurso na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, em 22 de setembro de 2026.
Foto: REUTERS - Brendan McDermid / RFI

Além disso, o presidente francês declarou que o Hamas nunca atuou na Cisjordânia, denunciando a incoerência das operações israelenses na região. "Todos aqueles que afirmam que a segurança de Israel passa pela violação da soberania de todos os seus vizinhos cometem um erro funesto", afirmou, evocando também o deslocamento de milhares de libaneses depois da destruição de seus vilarejos por soldados de Israel.

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Macron ainda voltou a afirmar que a solução de dois Estados é a condição para a "segurança de hoje e de amanhã para Israel e seu povo".

No ano passado, durante a Assembleia Geral da ONU, o líder centrista encabeçou, junto à Arábia Saudita, a chamada "Declaração de Nova York", apoiada por 142 Estados, em prol do reconhecimento da Palestina.

Israel não demorou a responder às declarações do presidente francês, classificadas de "absurdo grotesco". "Os terroristas do Hamas realizam ataques contra os judeus quase todos os dias. Assassinaram inúmeros civis israelenses em Judeia e Samaria", afirmou o escritório do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em um comunicado, citando o nome bíblico da Cisjordânia, que foi invadida por Israel em 1967. 

A nota ainda menciona a morte a tiros, no domingo (20), de um colono israelense na Cisjordânia, pai de seis filhos e que também tinha nacionalidade francesa. O exército de Israel afirmou ter detido o atirador palestino em um hospital e informou que soldados realizaram depois uma incursão em seu vilarejo. O governo de Netanyahu pede agora a sua execução, com base em uma nova lei.

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O embaixador americano em Israel, Mike Huckabee, também endossou a reação, dizendo ser "difícil imaginar um discurso mais desconectado da realidade do que o de Macron na ONU".

Multilateralismo e engajamento em prol da ONU

A fala do presidente francês durou 30 minutos, neste que será seu último discurso na Assembleia Geral da ONU deste mandato, que se encerra em 2027, sem possibilidade de reeleição. Como o presidente Lula, que foi o primeiro a discusar na terça-feira, Macron também se pronunciou em favor do multilateralismo e pediu o engajamento dos líderes em prol das Nações Unidas. 

"Não cedamos!", declarou, criticando "impérios" e a "lei da selva". "Devemos, de fato, continuar a agir, hoje mais do que nunca, e ter a coragem de ser otimistas, mobilizar-nos e ser úteis", martelou. "Mais do que nunca, precisamos das nossas Nações Unidas", reiterou Macron.

O discurso contou ainda com várias indiretas ao presidente americano, Donald Trump, e contra suas ambições territoriais no Canadá e na Groenlândia. Macron também alfinetou a China e a Rússia, que bloqueiam frequetemente a adoção de resoluções no Conselho de Segurança.

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O líder francês lamentou o que classificou de "moda" sobre considerar que as Nações Unidas "já não servem para grande coisa" e poderiam ser substituída por uma organização regida pela "lei do mais forte", onde seria possível "impor outro pensamento". Em um tom otimista, o presidente francês completou que "juntos" os países são "mais fortes, mais eficazes" e encerrou seu discurso com a frase: "viva as Nações Unidas".

RFI com agências

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