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MP da Itália investiga repasse da Venezuela a partido populista

As hipóteses são de financiamento ilícito e lavagem de dinheiro

28 out 2021 10h08
| atualizado às 10h14
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O Ministério Público da Itália investiga possíveis crimes de financiamento ilícito e lavagem de dinheiro envolvendo um suposto repasse da Venezuela para o partido antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S).

Gianroberto Casaleggio, o ideólogo do M5S morto em 2016
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O caso estourou em junho de 2020, quando o jornal espanhol ABC publicou uma reportagem denunciando o envio de 3,5 milhões de euros em dinheiro vivo para o consultor Gianroberto Casaleggio (1954-2016), ideólogo do M5S e de seu sistema de "democracia direta", em 2010.

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O repasse teria sido feito por meio do Consulado da Venezuela em Milão e recebido autorização do então ministro das Relações Exteriores do país latino-americano, Nicolás Maduro, durante o governo de Hugo Chávez (1954-2013).

A denúncia se baseia em documentos confidenciais da Direção-Geral de Inteligência Militar da Venezuela. Um dos arquivos define Casaleggio como o "promotor de um movimento esquerdista revolucionário e anticapitalista na República da Itália".

O MP de Milão, que investiga o caso, já colheu declarações do jornalista espanhol autor da reportagem, Marcos García Rey, e enviou a Madri uma ordem europeia para interrogar Hugo Armando Carvajal, também conhecido como "El Pollo", ex-chefe da inteligência venezuelana e preso recentemente na Espanha.

O M5S foi fundado por Casaleggio e pelo comediante Beppe Grillo em 2009 e logo chacoalhou a política italiana, quebrando a polarização esquerda-direita.

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Com um discurso antiestablishment, o partido cresceu na esteira do desencanto da população com a política tradicional e calcado na promessa de não fazer alianças com o "sistema", conquistando prefeituras de cidades como Roma e Turim, em 2016.

Em 2018, o M5S se tornou o partido mais popular da Itália, com pouco mais de 30% dos votos nas eleições legislativas de março, e chegou ao governo em junho do mesmo ano, indicando Giuseppe Conte como primeiro-ministro.

Apesar de ter sido definido pela inteligência venezuelana como "movimento esquerdista revolucionário", o M5S governou ao lado da extrema direita até setembro de 2019, quando uma crise política o levou a dar um giro de 180 graus e formar uma coalizão com sociais-democratas.

Atualmente, o M5S integra o governo de Mario Draghi, um símbolo do establishment europeu que o movimento sempre jurou combater, e enfrenta uma crise de popularidade, tendo perdido recentemente as prefeituras de Roma e Turim.

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O partido define a denúncia sobre o dinheiro venezuelano como "fake news".

  
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