A cúpula da Organização para Cooperação de Xangai foi inaugurada no domingo (31) em um cenário internacional explosivo. Entre as tarifas impostas por Donald Trump e a interminável guerra na Ucrânia, Rússia, China e Índia buscam demonstrar alinhamento frente aos Estados Unidos.
Côme Bastin, correspondente da RFI na Índia
A Índia é membro desse fórum intergovernamental desde 2017, mas sua presença este ano tem um significado especial. A questão é saber se o primeiro-ministro indiano Narendra Modi se aproximará da China e da ordem antiocidental que ela mantém com a Rússia — e de que forma.
Por enquanto, vários fatores dificultam esse movimento: Nova Délhi mantém um conflito fronteiriço com Pequim e, acima de tudo, preserva uma relação diferenciada com os Estados Unidos, que até recentemente era considerada excelente.
Ruptura com Washington
Mas tudo pode mudar agora que a Índia busca reduzir sua dependência dos Estados Unidos, seu principal parceiro comercial em exportações, que acaba de impor tarifas de 50%.
A cúpula de 2025 representa uma espécie de ruptura: Narendra Modi viaja pessoalmente à China pela primeira vez desde 2018, com o objetivo de demonstrar independência em relação a Washington.
A China não hesita em recebê-lo com deferência. O premiê chegou a tuitar em mandarim — algo incomum — e apareceu sorridente em fotos ao lado do presidente russo Vladimir Putin e do líder chinês Xi Jinping.
Apesar da aproximação evidente, há limites. Embora a Índia se afaste dos Estados Unidos, não dá sinais de querer romper com a Europa ou a Commonwealth — ou seja, com o Ocidente como um todo. E as primeiras declarações de Modi nesta segunda-feira (1°) pela manhã não pouparam o Paquistão, presente na cúpula, mas inimigo histórico da Índia.
Dessa forma, a Índia deve manter uma posição especial dentro do trio estratégico formado com Rússia e China.