Milei desafia sindicatos com reforma trabalhista e gera tensão na Argentina

Quarta greve geral foi convocada e lei será votada em um Parlamento fechado

19 fev 2026 - 17h50
(atualizado às 17h54)

O governo ultraliberal de Javier Milei está desafiando os sindicatos argentinos e insistindo na aprovação de seu projeto de reforma trabalhista, apesar da quarta greve geral convocada contra ele e de um protesto massivo marcado em frente ao Parlamento para coincidir com o debate na Câmara dos Deputados.

Quarta greve geral foi convocada e lei será votada em um Parlamento fechado
Quarta greve geral foi convocada e lei será votada em um Parlamento fechado
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

"Não há nada mais extorsivo, contrário à liberdade e à democracia do que o que os sindicatos estão fazendo. É por isso que as pessoas os odeiam e por isso que eles têm uma imagem 80% negativa", disse o secretário do Gabinete, Manuel Adorni, comentando a ampla participação na greve.

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Na ausência de Milei, que estava em Washington participando da primeira reunião do Conselho de Paz de Donald Trump, mandatário americano, Adorni atuou como porta-voz da Casa Rosada, assegurando que, a partir de agora, "o governo está suspendendo o diálogo com os sindicatos".

Após os violentos confrontos da semana passada durante o debate no Senado, a sessão da Câmara dos Deputados começou em meio a grande tensão, com o Parlamento sob forte esquema de segurança enquanto milhares de manifestantes se reuniam na Praça do Congresso. O trabalho foi mínimo no restante da capital devido à paralisação total do transporte ferroviário e rodoviário urbano.

Os aeroportos também estavam desertos, com a Aerolineas Argentinas anunciando em comunicado a suspensão de pelo menos 250 voos e transtornos para pelo menos 30 mil passageiros, além de inúmeros cancelamentos de voos domésticos e de longa distância por outras companhias aéreas.

Confrontos entre manifestantes e policiais começaram nas primeiras horas da manhã em alguns dos principais acessos rodoviários à capital. Os policiais usaram gás lacrimogêneo e spray de pimenta para impedir a circulação de veículos particulares e a passagem de marchas sindicais que se dirigiam à Praça do Congresso.

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Mesmo na frente política, o caminho da reforma de Milei parece desafiador. O governo teve dificuldades para garantir maioria suficiente para convocar a sessão do Parlamento, mas isso exigiu a remoção do controverso artigo que impunha uma redução drástica no salário em caso de doença, mesmo em casos graves e terminais. A eliminação do Artigo 44, considerado inaceitável pelos moderados, exigirá uma nova análise no Senado, mesmo que a Câmara dos Deputados o aprove em segunda leitura.

A reforma ultraliberal de Milei, além de flexibilizar os contratos de trabalho, visa simplificar as demissões, limitar o direito à greve e as prerrogativas sindicais, e reduzir as contribuições e os benefícios pagos pelas empresas. O governo alega que isso incentivará novas negociações e reduzirá o trabalho informal, atualmente em 43%, enquanto a oposição e os sindicatos denunciam uma piora drástica das condições de trabalho e a perda de direitos fundamentais. .

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